A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) adiou, nesta quarta-feira (6 de maio de 2026), a votação de propostas sobre regras para a manipulação de canetas emagrecedoras. O pedido de vista foi apresentado pelo diretor Thiago Campos durante a 7ª Reunião da Diretoria Colegiada, convocada pelo diretor-presidente Leandro Nafatle para analisar produtos irregulares apreendidos em território brasileiro.
Segundo a Anvisa, a pauta incluía a avaliação de canetas injetáveis utilizadas no tratamento da obesidade que contêm substâncias como tirzepatida e semaglutida. Ao justificar o pedido de vista, o diretor Thiago Campos afirmou que a matéria “precisa de um melhor aperfeiçoamento”, o que motivou o adiamento do encaminhamento das propostas à deliberação da diretoria.
Anvisa e Polícia Federal intensificarão ações
O diretor-presidente Leandro Nafatle informou que a Anvisa e a Polícia Federal vão intensificar as ações conjuntas de combate ao mercado ilegal das chamadas canetas emagrecedoras. Nafatle destacou que “os órgãos competentes vão intensificar no controle dos riscos sanitários e dos ilícitos associados à produção, importação e venda irregular de medicamentos”, com o objetivo de frear a comercialização de produtos sem registro e sem comprovação de origem e qualidade.
A reunião também tratou de propostas técnicas, entre elas a sugestão do relator Daniel Meirelles para que o Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS) passe a avaliar a matéria-prima importada por farmácias que manipulam essas canetas. Essa proposta recebeu críticas de representantes da indústria farmacêutica e de associações médicas, que defendem a proibição total da venda de produtos manipulados.
Representantes de sociedades médicas presentes à reunião posicionaram-se contrariamente à manipulação desses medicamentos e criticaram o modelo de comercialização por clínicas. O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), André Vianna, afirmou que as farmácias de manipulação atuam “como uma indústria paralela” no Brasil e apontou falhas de segurança no processo de produção.
Em contrapartida, entidades do setor de manipulação argumentam que as medidas sugeridas podem restringir o acesso a tratamentos e favorecer a entrada de medicamentos falsificados provenientes de países como o Paraguai.
A diretoria-colegiada da Anvisa já havia discutido, em abril deste ano, procedimentos e requisitos técnicos relacionados a medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1, tema que permanece sob análise. A agência reforça que o uso desses medicamentos deve ocorrer somente com prescrição médica e observância dos critérios de comercialização estabelecidos pelo órgão.
Mais informações sobre a reunião podem ser consultadas na pauta da 7ª Reunião da Diretoria Colegiada.


