22.6 C
Uberlândia
sábado, maio 9, 2026

Como a Academia Brasileira de Letras e a USP influenciaram a versão brasileira do “Parabéns”

TRANSMISSÃO: Globo

A letra do “Parabéns” cantada no Brasil tem ligações formais com a Academia Brasileira de Letras (ABL) e laços informais com a Universidade de São Paulo (USP). A versão oficial adotada na década de 1940 foi obra da paulistana Bertha Celeste Homem de Mello, escolhida em um concurso de rádio de âmbito nacional que visava substituir a versão em inglês então em uso.

Bertha, farmacêutica, compôs uma trova — forma poética de uma estrofe com quatro versos e métrica de sete sílabas (redondilha maior) — e inscreveu-a na disputa. Concorrendo com mais de 5 mil composições, seus versos foram selecionados por uma banca que incluía nomes como Cassiano Ricardo, Múcio Leão e Olegário Mariano. Desde então, a canção tornou-se presença constante nas festas de aniversário no país, mantendo ampla fidelidade ao texto original.

A linguista Luísa Albuquerque observa que a versão popular difundida entre os brasileiros apresenta adaptações, como a mudança de “muita felicidade” para “muitas felicidades”. Segundo ela, essa alteração torna a progressão da frase mais coerente para os ouvintes, ao uniformizar o número gramatical no decorrer do canto.

Em entrevista concedida à TV Globo em 1997, aos 95 anos, Bertha declarou sentir-se emocionada ao constatar que seus versos eram entoados em todo o território nacional, mesmo quando a versão executada em festas divergia levemente da original. No âmbito familiar, porém, ela mantinha a versão que compôs.

O trecho ligado à USP

Outra parte muito conhecida do repertório de aniversários — “É pique, é pique / É hora, é hora, é hora / Rá‑tim‑bum” — tem origem distinta e anterior à letra de Bertha. Surgiu na década de 1930 entre estudantes da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, na USP, como gritos de guerra. “É pique, é pique” remetia ao apelido Pic‑Pic de Ubirajara Martins de Souza, associado ao som de uma tesoura; “é hora” fazia referência ao costume de esperar meia hora por uma nova rodada de cerveja nos bares locais; e “rá‑tim‑bum” evoluiu de “ra‑já‑tim‑bum”, alusão a um rajá chamado Timbum que teria visitado a faculdade.

Variações regionais existem: no Rio de Janeiro, por exemplo, “pique‑pique” pode aparecer como “big‑big”, e em algumas comunidades os versos uspianos são substituídos por expressões de baixo calão. A pesquisadora Luísa Albuquerque destaca que costumes locais costumam influenciar a forma como o canto se consolida em cada região.

Contexto internacional

A melodia que serviu de base para o repertório internacional foi composta pelas americanas Mildred e Patty Smith Hill no final do século 19. A versão em inglês, conhecida como “Happy Birthday to You”, tem letra e ritmo mais simples e mais lentos do que a forma brasileira que se popularizou ao longo do século 20.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
Últimas Notícias
Veja também