No Dia das Mães, especialistas chamam atenção para as mudanças que a maternidade impõe sobre o desejo sexual e a vida íntima das mulheres. Segundo a sexóloga Barbara Ahlert, o desejo não some com a chegada dos filhos, mas se reorganiza em função de novas demandas físicas, emocionais e relacionais.
Corpo, emoção e relação: três frentes de mudança
De acordo com Ahlert, a transformação ocorre em três níveis principais. No plano fisiológico, alterações hormonais e a nova percepção do corpo modificam a maneira como a mulher se enxerga. O corpo que antes era associado principalmente ao erotismo passa a ser visto, em grande parte, como instrumento para alimentar e cuidar da criança.
No campo emocional, a maternidade pode estabelecer um estado de alerta permanente. A construção de uma identidade materna coloca outras dimensões — entre elas a sexualidade — em segundo plano, e muitas mulheres relatam sentir-se menos identificadas com o papel de parceira.
As mudanças na rotina do casal também influenciam diretamente a vida sexual. A administração do dia a dia, marcada por tarefas e logística, tende a tornar a comunicação entre os parceiros mais prática e menos afetiva, reduzindo a intimidade emocional que sustenta o desejo.
Outro elemento apontado pela especialista é o esgotamento físico e mental. A sobrecarga de atividades e a chamada “carga mental invisível” deixam poucas condições para que se crie um ambiente favorável ao romance: ao final do dia, muitas mulheres descrevem não ter energia nem vontade de contato corporal.
Possibilidade de reconstrução do desejo
Apesar das dificuldades, Barbara Ahlert afirma que é possível recuperar o desejo. Para isso, destaca a importância de um acordo compartilhado entre o casal e do resgate da identidade da mulher além do papel materno. Momentos curtos de conexão podem ajudar a restabelecer a intimidade de forma gradual.
Entre as estratégias recomendadas pela sexóloga estão a divisão equilibrada de tarefas, a criação de pausas na rotina e a diminuição da pressão sobre o sexo, permitindo que o vínculo seja retomado aos poucos. O retorno do desejo, segundo Ahlert, está ligado ao fato de a mulher voltar a se sentir mulher, não apenas mãe.
Fonte: Uberlandianofoco


