Governo apela à austeridade para enfrentar alta internacional dos preços de energia
O primeiro-ministro Narendra Modi fez um apelo público para que os indianos adotem medidas de contenção no consumo de energia e em outras áreas da economia, pedindo que trabalhem de casa quando possível, reduzam o uso de combustíveis, limitem compras de ouro e evitem viagens internacionais. A orientação, divulgada em meio ao impacto no preço do petróleo provocado pela guerra no Oriente Médio e pelo bloqueio parcial do estreito de Ormuz, representa uma mudança de tom em relação à tradicional ênfase do país em estímulos ao crescimento.
A Índia importa aproximadamente 90% do petróleo que consome e está entre os maiores compradores de ouro do mundo, fatores que aumentam sua exposição a choques externos. A interrupção parcial da navegação no estreito de Ormuz, rota que historicamente responde por cerca da metade do petróleo importado pelo país, pressionou os custos energéticos e agravou o desequilíbrio nas contas externas.
Na prática, as pressões externas já resultaram em aumentos de preços. Nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026, empresas estatais elevaram os valores da gasolina e do diesel pela primeira vez desde o início da crise, impactando o preço do litro em cidades como Nova Déli. Reajustes anteriores já haviam encarecido o gás de cozinha, combustível essencial para milhões de lares, e contribuíram para temores sobre inflação.
O consumo de ouro também vem sendo alvo de medidas para conter saídas de dólares. Em 2025, a Índia gastou mais de US$ 72 bilhões na importação do metal. Para desestimular compras, o governo aumentou a alíquota de importação de ouro de 6% para 15%, buscando reduzir a pressão sobre as reservas em moeda estrangeira enquanto a rúpia registra desvalorização.
A reação da população é mista. Em cidades como Calcutá, moradores dizem não compreender plenamente as orientações e afirmam já adotar padrões de consumo restritos, sem ver como reduzir gastos adicionais. Há críticas pela falta de explicações detalhadas sobre as estratégias governamentais e questionamentos sobre o timing do anúncio, feito logo após as eleições gerais. Por outro lado, parte dos profissionais vê o pedido de austeridade como uma medida preventiva diante da incerteza internacional.
Paralelamente, o governo intensificou esforços diplomáticos. Modi iniciou nesta sexta-feira (15) uma viagem pelos Emirados Árabes Unidos e por países europeus com a segurança energética como prioridade. Na chegada a Abu Dhabi, destacou a importância de manter o estreito de Ormuz aberto e em conformidade com o direito internacional. As conversas com as autoridades dos Emirados devem incluir acordos em petróleo e gás e possibilidades de investimento, com a expectativa de fortalecer parcerias que reduzam a dependência de rotas vulneráveis e aumentem a resiliência energética.
No curto prazo, o governo afirma que a combinação de diversificação de fornecedores, controle de gastos e redução da dependência de energia importada depende também da adesão da população às medidas propostas.
Fonte: G1


