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terça-feira, maio 19, 2026

Volkswagen estuda ceder linhas ociosas na Alemanha a montadoras chinesas para preservar empregos

TRANSMISSÃO: Globo

Volkswagen avalia colaboração com empresas chinesas em fábricas alemãs

A Volkswagen estuda permitir que montadoras chinesas de veículos elétricos usem linhas de produção ociosas em plantas na Alemanha como medida para proteger postos de trabalho, segundo reportagem. A ação pode envolver, entre outras, a fábrica de Zwickau, no estado da Saxônia, no leste alemão.

Na semana passada, o secretário de Economia da Saxônia, Dirk Panter, declarou que “a China é uma oportunidade” e afirmou que “se vermos essa chance, devemos aproveitá-la”. Panter acrescentou que “nosso critério não é a ideologia, mas a viabilidade industrial futura e a segurança dos postos de trabalho da Volkswagen na Saxônia”.

A unidade de Zwickau recebeu um aporte de 1,5 bilhão de euros em 2019 para ser dedicada à produção de carros elétricos, mas nunca alcançou plena capacidade. A proposta em discussão é que algumas linhas possam ser cedidas a fabricantes chineses para manter empregos.

Olaf Lies, governador da Baixa Saxônia — estado que detém 20% das ações do grupo Volkswagen — também se mostrou receptivo à possibilidade de chineses produzirem em plantas ociosas da empresa. A postura dos líderes regionais marca mudança significativa na Alemanha, observa o semanário Die Zeit, que ressaltou que fábricas que hoje operam abaixo da capacidade colocam em risco milhares de vagas.

O movimento ocorre em meio a dificuldades da Volkswagen na transição para veículos elétricos, que tem sido mais lenta do que o previsto. Ao mesmo tempo, montadoras chinesas ganham espaço no mercado europeu, enquanto a indústria na Europa enfrenta custos elevados de energia e mão de obra, além de impacto da política tarifária dos EUA.

A Volkswagen reportou queda de 44% no lucro líquido em 2025 e anunciou um plano de reestruturação que prevê a eliminação de 50 mil empregos na Alemanha até 2030 para reduzir custos.

Segundo o jornal Handelsblatt, conversas com fabricantes chinesas sobre uso de instalações da Volkswagen vêm ocorrendo desde 2024. A reportagem, citando quatro fontes internas anônimas, indica que houve negociações envolvendo a SAIC — parceira chinesa da VW — que poderia utilizar a planta de Emden, no noroeste alemão, mas sem sucesso na época.

Em 2024, o CEO Oliver Blume também mencionou incertezas sobre a continuidade de Emden e Zwickau, além das fábricas de Hannover e da unidade da Audi em Neckarsulm. Entre os cenários em avaliação pelo grupo estão trazer mais tecnologia e modelos das operações da VW na China para a Europa ou disponibilizar capacidade ociosa a parceiros chineses, como a Xpeng, na qual a Volkswagen tem participação de 5%.

A direção da Volkswagen, contudo, rejeitou por enquanto a venda de fábricas inteiras para montadoras sem vínculo ao grupo, como a BYD.

O debate envolve também preocupações de segurança e relações trabalhistas. O deputado estadual Wolfram Günther advertiu para riscos de espionagem industrial, afirmando que “a China é um dos Estados mais agressivos do mundo quando se trata de espionagem. Vou dizer isso claramente. Não são segredos”. A líder da bancada do partido A Esquerda, Susanne Schaper, citou conflitos relatados por trabalhadores com a empresa SRW metalfloat, controlada por acionistas chineses, como exemplo de dificuldades em parcerias.

Analistas e políticos descrevem a proposta como controversa por tratar não apenas de política industrial, mas da imagem da Alemanha como nação produtora de automóveis, conforme avaliou o jornal Die Zeit.

G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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