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quarta-feira, maio 20, 2026

Brasil tem enormes reservas de terras raras, mas produção segue marginal diante de desafios tecnológicos e políticos

Brasil reúne volumes significativos de terras raras, mas enfrenta dificuldades para transformar potencial em produção

Quem e o quê: Depósitos brasileiros abrigam milhões de toneladas de elementos classificados como terras raras, recursos essenciais para aplicações que vão de carros elétricos a sistemas de defesa. Apesar do volume, a produção nacional permanece reduzida e o país ainda não se consolidou como fornecedor global.

Quanto e onde: De acordo com estimativas do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o Brasil tem mais de 20 milhões de toneladas desses elementos, número que o coloca como a segunda maior reserva mundial, superado apenas pela China e acima da Índia, que tem 6,9 milhões de toneladas.

Quando: Em 2024 o Brasil exportou apenas 20 toneladas, ante uma produção global estimada naquele ano em 390 mil toneladas, segundo o USGS. A China respondeu por cerca de dois terços dessa produção mundial.

Por que a produção é baixa: Os elementos de terras raras normalmente aparecem misturados a areias, argilas e rochas e exigem processos complexos e caros para serem separados e transformados em óxidos com pureza industrial. Pablo Cesario, presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), afirmou que a etapa de processamento até óxidos de altíssima pureza envolve centenas de operações industriais e que o Brasil ainda realiza esse trabalho apenas em escala laboratorial. Julio Nery, diretor de assuntos de mineração do Ibram, destacou a necessidade de infraestrutura, avanço em pesquisa tecnológica e eletricidade mais barata e abundante para viabilizar produção em larga escala.

Quem está investindo: Os Estados Unidos demonstraram interesse em aproveitar o potencial brasileiro como forma de reduzir a dependência chinesa. Um porta-voz da embaixada norte-americana informou que mais de US$ 600 milhões já foram direcionados a projetos no país, e Washington firmou um memorando com o governo de Goiás para estimular a mineração desses elementos. Em abril, a empresa americana USA Rare Earth adquiriu a Serra Verde, a única mina em operação no Brasil, por cerca de US$ 2,8 bilhões (aproximadamente R$ 14 bilhões). Empresas australianas, como a Foxfire Metals, também atuam no país, enquanto há participação chinesa em projeto na Amazônia, segundo o Ibram.

Papel do governo e ambiente regulatório: O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou disposição de fechar parcerias com outros países, mas ressaltou que o controle sobre a riqueza mineral deve permanecer brasileiro. Após encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Lula convidou Washington a se associar na exploração de terras raras. No plano legislativo, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que oferece incentivos fiscais ao setor privado, ao mesmo tempo em que amplia mecanismos de controle estatal, concedendo ao Executivo poder de veto sobre acordos com empresas estrangeiras por motivos de segurança econômica ou geopolítica. Pablo Cesario comentou que a redação vigente dá ao governo “a última palavra em tudo” e que o texto tende a ser debatido no Senado.

A combinação de riquezas geológicas, interesse externo e incertezas regulatórias marca o cenário atual: há potencial para investimentos bilionários, mas a capacidade de transformar reservas em produção industrial em larga escala depende de soluções tecnológicas, de infraestrutura e de decisões políticas.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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