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domingo, maio 24, 2026

Preços do café do dia a dia caem em abril, mas descafeinado e especial sobem mais de 15%

Quase todos os tipos de café registraram queda de preço em abril na comparação com o mesmo mês de 2025, mas o descafeinado e o café especial foram exceções e apresentaram alta superior a 15%, segundo levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic).

O preço médio do quilo do café tradicional e extraforte recuou 15,5% em abril ante abril de 2025, situando-se em R$ 55,34. O café superior teve recuo de 12,6%, para R$ 70,37, enquanto o gourmet caiu 3,7%, ficando em R$ 106,66.

Entre outros segmentos, o café em cápsula apresentou redução de 9,4% no preço médio do quilo, para R$ 364,16, e o drip coffee registrou queda de 5,2%, com preço médio de R$ 238,38. O café solúvel permaneceu praticamente estável, com leve alta de 0,5%, para R$ 224,99.

Na contramão, o descafeinado ficou 21% mais caro em relação a abril de 2025, alcançando preço médio de R$ 114,93 por quilo. O segmento especial, considerado o mais premium, teve aumento de 16,8%, para R$ 161,26.

Por que descafeinado e especial ficaram mais caros

Celírio Inácio da Silva, diretor-executivo da Abic, atribuiu a elevação do preço do descafeinado ao fato de grande parte do processamento ser realizada fora do Brasil. Segundo ele, o processo de descafeinação é complexo e costuma ser feito em países como a Suíça, o que implica custos de envio e processamento. “O café é enviado ao exterior para passar pelo processo de descafeinação e depois retorna ao Brasil”, detalhou Silva.

O diretor citou que no país há poucas indústrias capazes de descafeinar em larga escala, entre as quais estão a Cocam, a Eisa e, mais recentemente, a DM Descafeinadores do Brasil, considerada hoje a maior do país. Silva também observou que o descafeinado tem um público mais restrito.

Sobre o café especial, Silva explicou que os custos de produção mais elevados, o consumo restrito e a distribuição limitada explicam o aumento de preço. Para alcançar a pontuação que classifica um lote como “especial”, o produtor precisa investir mais no campo, e esse custo adicional reflete-se no preço final. O diretor destacou ainda que o café especial representa cerca de 1% do consumo total no Brasil e que a Abic tem trabalhado com a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) para ampliar sua distribuição.

Contexto da oferta, consumo e perspectiva

Segundo a Abic, os cafés do dia a dia se tornaram um pouco mais acessíveis após anos de alta de preços, provocada por problemas climáticos nas lavouras entre 2021 e 2024 — como secas, calor intenso e geadas — que reduziram a produção. Em 2024, o preço da matéria-prima (grão de café) teve aumento superior a 120%, o que levou a um repasse de mais de 73% para as prateleiras em 2025.

Na comparação dos primeiros quatro meses, o consumo de café caiu 5% de janeiro a abril de 2025 em relação ao mesmo período de 2024. Já nos quatro primeiros meses de 2026, houve recuperação, com alta de 2,44% no consumo, de acordo com a Abic. A entidade afirmou que a recuperação começou a se desenhar em setembro de 2025, quando a florada indicou uma boa produção para a safra seguinte.

Para 2026, a produção segue dentro do esperado até o momento e, se o clima permanecer favorável, a expectativa é de crescimento do consumo e manutenção da queda gradual dos preços ao longo do ano. Ainda assim, Celírio Silva avaliou que é improvável que os preços retornem aos níveis de 2020, pois os estoques mundiais permanecem baixos e a disputa pelo produto aumentou com o crescimento do consumo global. Segundo ele, seriam necessárias duas ou três safras muito boas consecutivas para reequilibrar os estoques e provocar queda drástica nos preços.

Em dados ao consumidor, o preço do café moído registrou alta de 0,54% em 12 meses, sinalizando que, apesar da desaceleração da inflação, os preços nas prateleiras seguem elevados.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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