Um novo fenômeno relacionado à saúde ocupacional ganha espaço nas discussões sobre trabalho: a síndrome de boreout, caracterizada por tédio extremo, falta de propósito e ausência de desafios profissionais. Ao contrário do burnout, associado à sobrecarga de tarefas, o boreout nasce da sensação de inutilidade e do desinteresse pelas atividades do dia a dia.
Entendendo o boreout
O psicólogo e doutor em Psicologia Vladimir Melo define o boreout como um quadro marcado por profundo tédio e subutilização do profissional. Segundo Melo, “A procrastinação e a fuga são sinais de que a pessoa está lutando para lidar com a rotina”.
Profissionais afetados por essa condição relatam desmotivação e apatia, o que pode se traduzir em queda de rendimento e até no risco de demissão por baixa produtividade. Além do impacto profissional, o boreout apresenta efeitos sobre a saúde mental, com relatos de ansiedade, baixa autoestima e quadros depressivos.
A estigmatização do problema — muitas vezes reduzido à ideia de preguiça — tende a agravar a situação ao prejudicar a autoestima do trabalhador e dificultar a busca por ajuda. Observa-se maior incidência de relatos entre jovens e entre quem trabalha em regime de home office, grupos que mencionam crescente desconexão com suas funções e tarefas repetitivas.
Em espaços de debate online, como fóruns e redes sociais, pessoas compartilham experiências de falta de estímulo, o que tem contribuído para a visibilidade do tema e para discussões sobre propósito e saúde mental no ambiente de trabalho.
Para enfrentar o problema, especialistas apontam a necessidade de ações tanto por parte das empresas quanto dos próprios trabalhadores. Organizações são orientadas a mapear as demandas dos funcionários e a desenvolver estratégias de recolocação interna ou redistribuição de tarefas, buscando adequar funções ao perfil e às competências de cada empregado.
Por sua vez, profissionais são incentivados a identificar oportunidades de crescimento dentro da empresa e a manifestar interesse por novos desafios. A combinação entre iniciativa dos trabalhadores e postura flexível das lideranças pode ajudar a reverter quadros de desmotivação e promover um ambiente laboral mais estimulante e saudável.
Fonte: Uberlandianofoco


