O mercado físico de algodão no Brasil registrou queda no ritmo de negócios na última semana, reflexo da pressão das cotações da Bolsa de Nova York. Com volume reduzido de transações, as negociações se concentraram em entregas imediatas entre produtores e indústrias, indicando cautela do setor.
Quem e o que: Produtores e indústrias reduziram operações no mercado doméstico, privilegiando contratos de pronta entrega.
Quando e onde: Na última semana, com referência às cotações de quinta-feira (21), o mercado interno apresentou recuos nos preços em diferentes praças.
Segundo a Safras Consultoria, as quedas nos preços domésticos foram menos intensas que as observadas no exterior, mas mantiveram-se relevantes. No CIF São Paulo, a pluma foi cotada a R$ 4,22 por libra-peso ao final da quinta-feira (21). Em Rondonópolis (MT), a arroba foi negociada a R$ 131,93, ambas com desvalorização frente à semana anterior.
Bolsa de Nova York pressiona mercado brasileiro
A desvalorização dos contratos futuros do algodão na Bolsa de Nova York gerou um cenário de incerteza para os agentes brasileiros. A combinação de demanda global mais fraca e movimentos especulativos tem levado produtores a adotar uma postura conservadora, aguardando melhores condições para venda.
A indústria, por sua vez, mantém compras pontuais para assegurar abastecimento imediato. Analistas apontam que a volatilidade cambial e as oscilações do mercado externo deixaram o setor em situação de fragilidade técnica no curto prazo.
Custos de produção em Mato Grosso
Em Mato Grosso, principal estado produtor, os custos de produção permanecem elevados apesar de uma leve redução em abril. Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agrícola (Imea) indicam que o custo operacional da safra 2026/27 foi de R$ 18.962,50 por hectare, pressionado por itens como fertilizantes, defensivos agrícolas e logística.
A queda recente nas cotações da pluma aumenta a preocupação quanto à rentabilidade e faz com que produtores busquem alternativas para reduzir custos.
Exportações crescem no início de maio
Em contraste com o mercado físico doméstico, as exportações brasileiras de algodão tiveram forte avanço em 2026. Nos primeiros dez dias úteis de maio, o Brasil embarcou 159,587 mil toneladas, gerando uma receita de US$ 244,817 milhões, um aumento expressivo em relação ao ano anterior.
O desempenho nas vendas externas é atribuído à competitividade da fibra brasileira e à demanda de compradores asiáticos. O crescimento nas exportações pode representar alívio para produtores que enfrentam dificuldades no mercado interno.
Fonte: Uberlandianofoco


