Os preços do petróleo subiram de forma expressiva nesta segunda-feira (1º), em reação à troca de ataques entre Irã e Estados Unidos e à ordem de Israel para que suas tropas avancem no Líbano contra o grupo Hezbollah, apoiado por Teerã. Por volta das 10h45 (horário de Brasília, UTC-3), os futuros do Brent marcavam alta de US$ 4,7, ou quase 5%, a US$ 95,65 por barril. Os contratos de petróleo negociados nos Estados Unidos registravam ganho de cerca de US$ 5, ou 5,77%, a US$ 92,36 por barril.
O aumento dos preços ocorreu num momento em que combates no Oriente Médio reduziram expectativas de uma rápida extensão do cessar-fogo entre EUA e Irã. Washington havia sediado negociações de paz entre Israel e Líbano na sexta-feira (29), mas a escalada das hostilidades reavivou dúvidas sobre a possibilidade de um acordo próximo.
Na sexta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que em breve tomaria uma decisão sobre uma proposta para prorrogar o cessar-fogo anunciado no início de abril. Segundo uma autoridade americana, os EUA apresentaram um plano de “redução gradual da escalada”. O governo iraniano, entretanto, afirmou que a demora nas negociações decorre da falta de confiança, de posições contraditórias de Washington e dos ataques israelenses ao Líbano, segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei.
Analistas também destacaram riscos de oferta. Tony Sycamore, analista do IG, afirmou em nota que crescem as preocupações com minas no Estreito de Ormuz — rota estratégica para transporte de petróleo e gás — e ponderou que mesmo um eventual acordo não geraria um aumento imediato e volumoso de suprimentos. Reportagem do Axios no X indicou que o Irã teria lançado mais minas no estreito no início da semana passada.
O movimento de alta do petróleo ocorreu apesar de dados econômicos chineses divulgados no fim de semana que apontaram estagnação da atividade fabril, o que alimenta receios sobre a demanda na segunda maior economia do mundo. Em maio, o Brent e o WTI caíram cerca de 19% e 17%, respectivamente, registrando a maior queda mensal de ambos os contratos desde março de 2020, no início da pandemia.
Outros fatores em jogo incluem a expectativa de redução dos preços oficiais de venda (OSPs) de petróleo bruto da Arábia Saudita para a Ásia em julho, segundo pesquisa da Reuters, e avaliação do Goldman Sachs de que a fraca demanda na China e na Europa representa risco de baixa para suas previsões do quarto trimestre (Brent a US$ 90 por barril e WTI a US$ 83), embora interrupções no fornecimento no Oriente Médio possam pressionar os preços para cima.
Fonte original: G1


