Brasília, 2 de junho de 2026 — O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou nesta terça-feira (2) que o governo brasileiro considera “injusta” a proposta do Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR) que prevê a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos vindos do Brasil. Segundo Alckmin, o país recebeu o resultado da investigação norte-americana com indignação.
O relatório do USTR aponta que práticas brasileiras teriam “onerado ou restringido” o comércio com os EUA. Entre os pontos elencados pelo departamento norte-americano estão o sistema de pagamentos PIX, o desmatamento ilegal, práticas de pirataria e supostas falhas na aplicação de leis anticorrupção.
Alckmin defendeu o PIX como uma conquista tecnológica do Brasil, ressaltando que o sistema contribui para a economia e oferece rapidez nas transações sem custo direto aos usuários. O vice-presidente também destacou que o país mantém portas abertas ao setor de tecnologia, afirmando que empresas nacionais e estrangeiras recebem tratamento equivalente.
Ao comentar o balanço comercial entre Brasil e Estados Unidos, Alckmin citou um desequilíbrio favorável aos norte-americanos e informou que os EUA registram um superávit de US$ 40 bilhões nas relações bilaterais. O vice-presidente mencionou setores de commodities, como etanol e açúcar, como exemplos desse descompasso e afirmou que, dos dez produtos que o Brasil mais importa dos EUA, oito entram no país sem tarifa, argumento usado para qualificar a proposta de taxação como “totalmente descabível”.
Na área ambiental, Alckmin apresentou dados sobre redução do desmatamento, apontando queda de mais de 50% nos índices da Amazônia, resultado que, segundo ele, é o maior em sete anos quando se somam os três biomas relevantes. No campo institucional, o vice-presidente lembrou a aprovação recente de dispositivos para reforçar o combate à corrupção e afirmou que o Brasil respeita normas de propriedade intelectual, setor em que, de acordo com ele, os Estados Unidos são os maiores beneficiários.
Apesar da irritação com a proposta do USTR, Alckmin disse que a via diplomática e o diálogo são os caminhos para evitar que recomendações se convertam em sanções efetivas, e afirmou que não há tema proibido nas conversas em curso. O vice-presidente também criticou opositores internos, acusando-os de priorizar interesses pessoais e eleitorais em detrimento do país.


