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quarta-feira, junho 3, 2026

Pseudomonas aeruginosa contamina lote de água Crystal após casos em detergentes Ypê; veja como a bactéria resiste

A Pseudomonas aeruginosa, a mesma bactéria que motivou, no início de maio, o recolhimento de determinados detergentes e sabões da marca Ypê, voltou a levar à interdição de um produto nesta quarta-feira (3). A Anvisa determinou a suspensão de um lote de garrafas de água mineral da marca Crystal após identificar a presença do microrganismo. Especialistas ouvidos pelo g1 explicam por que essa bactéria consegue sobreviver mesmo em produtos destinados à limpeza.

O que torna a Pseudomonas tão resistente

Pesquisadores ressaltam que a resistência da Pseudomonas resulta de um conjunto de características estruturais e funcionais. Primeiro, por ser uma bactéria gram-negativa, ela possui uma membrana externa adicional que reduz a permeabilidade — atuando como uma espécie de “escudo químico” que dificulta a entrada de agentes presentes em detergentes.

Além disso, quando a bactéria coloniza superfícies, tende a se agrupar e produzir uma matriz gelatinosa formada por polímeros orgânicos, proteínas e material genético — o chamado biofilme. Essa película funciona como uma barreira física que protege as células internas contra desinfetantes, alterações de temperatura e a ação do sistema imunológico. Segundo o infectologista Julio Croda, da Fiocruz, o biofilme contribui para a dificuldade de tratamento e pode levar a infecções graves, como pneumonia hospitalar, infecções de feridas cirúrgicas e sepse.

Por fim, as chamadas bombas de efluxo compõem uma terceira linha de defesa: proteínas presentes na membrana que reconhecem e expulsam substâncias tóxicas antes que alcancem concentrações letais. No gênero Pseudomonas existem mais de 12 tipos dessas bombas, algumas das quais funcionam continuamente como um mecanismo de proteção.

Controle e desinfecção

Especialistas ouvidos pelo g1 lembram que, apesar dessas defesas, processos corretos de desinfecção, esterilização e saneamento são capazes de eliminar a bactéria. Produtos e protocolos empregados em ambientes hospitalares costumam combinar agentes químicos e procedimentos específicos para prevenir a sobrevivência bacteriana, observa Perrenoud, professor de biologia do Curso Anglo.

Uso inadequado de produtos e seleção de resistência

O uso incorreto dos produtos de limpeza também aumenta o risco. Quando detergentes são diluídos além das recomendações, sua eficácia antimicrobiana diminui e pode ocorrer seleção de linhagens mais resistentes: a concentração baixa elimina apenas bactérias menos resistentes, favorecendo a sobrevivência e reprodução das mais adaptadas. Especialistas citam ainda a capacidade das bactérias de adquirir resistência por mutações e por troca horizontal de genes entre células, ampliando a disseminação de mecanismos de defesa.

Riscos para a saúde

Em pessoas com sistema imunológico saudável, a presença da Pseudomonas em um produto não costuma levar a doença, em parte porque a microbiota e as defesas do organismo contêm a infecção, conforme explica Filippo Giovanelli, autor e professor. Já indivíduos imunossuprimidos — como transplantados, pacientes em quimioterapia, usuários de medicamentos imunossupressores, bebês e idosos muito frágeis — estão em maior risco. Jessica Ramos, infectologista do Hospital Sírio-Libanês, afirma que, nesses grupos, a Pseudomonas pode provocar infecções pulmonares, urinárias e dermatológicas e é uma causa significativa de mortalidade hospitalar devido à combinação de resistência e virulência.

O g1 ouviu cinco especialistas em biologia e infectologia para detalhar essas características e os riscos associados.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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