Brasil busca negociar com UE após exclusão por uso de antimicrobianos
O Ministério das Relações Exteriores (MRE) intensificou as conversas com autoridades da União Europeia (UE) na tentativa de reverter, ao menos parcialmente, a decisão que exclui a carne brasileira da lista de produtos aceitos pelo bloco por uso excessivo de antimicrobianos na pecuária. A restrição passa a valer a partir de 3 de setembro.
Segundo interlocutores do Palácio do Itamaraty, o ministro Mauro Vieira manteve contato na quinta-feira (4) com o comissário de Comércio da UE para tratar do tema. A informação foi apurada pelo repórter Vladimir Netto, da TV Globo.
Paralelamente às tratativas diplomáticas, o Ministério da Agricultura e representantes do setor privado buscam soluções técnicas para atender às exigências do bloco. Entre as medidas discutidas estão a oferta de garantias solicitadas pela UE, como a realização de visitas técnicas presenciais a criadouros.
Na sexta-feira (5), a União Europeia oficializou a exclusão do Brasil da lista de países considerados em conformidade com as regras do bloco sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. No levantamento anterior, de 2024, o Brasil figurava como autorizado a exportar carne bovina, carne de frango e carne de cavalo, além de tripas, peixe e mel. A nova publicação retirou o país da lista para todos esses produtos.
Outros integrantes do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, permaneceram autorizados a exportar para a UE. De acordo com o documento divulgado pela Comissão Europeia, o Brasil não apresentou as informações exigidas que comprovassem o cumprimento dos requisitos do bloco sobre antimicrobianos.
Quando o bloco anunciou a decisão, no início de maio, a porta-voz da Comissão Europeia para a Saúde, Eva Hrncirova, afirmou que o Brasil poderá voltar à lista assim que comprovar os requisitos solicitados. Na ocasião, o governo brasileiro declarou surpresa com a decisão e informou que negociaria com o bloco.
O Brasil foi o único país removido da lista por não ter apresentado as informações exigidas. Outros três países foram excluídos por não manifestarem mais interesse em exportar produtos para a UE: Austrália (ovos), Ucrânia (coelhos) e Ilhas Malvinas (produtos de aquicultura).
Atualmente, a UE inclui 21 países e territórios em sua lista de conformidade: Armênia, Burkina Faso, Benin, Brunei, Belize, Guernsey, Índia, Indonésia, Irã, Quênia, República do Quirguistão, Sri Lanka, Ilhas Maurício, Nigéria, Sérvia, Essuatíni, Tunísia, Tanzânia, Uganda, Uzbequistão e Wallis e Futuna.
O governo brasileiro segue empenhado em negociar com o bloco europeu e em apresentar as garantias solicitadas antes da entrada em vigor da medida.


