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quarta-feira, junho 17, 2026

22/05/2026 — Fed mantém juros em 3,50% a 3,75% ao ano na primeira decisão sob Kevin Warsh

O Federal Reserve anunciou, nesta quarta-feira, a manutenção da taxa básica de juros dos Estados Unidos na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano. A decisão foi tomada por unanimidade pelo Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), com placar de 12 a 0, e marca a primeira deliberação do banco central sob a presidência de Kevin Warsh.

Warsh tomou posse como presidente do Fed em 22 de maio de 2026, após cerimônia na Casa Branca. Esta foi a quarta reunião consecutiva em que a autoridade monetária deixou os juros inalterados. O comunicado do Fomc avaliou que a economia americana segue crescendo em ritmo sólido, apesar da elevada incerteza associada, em parte, ao conflito no Oriente Médio.

O comitê destacou que investimentos empresariais e ganhos de produtividade continuam fortes e que o mercado de trabalho permanece robusto, com a criação de 172 mil vagas em maio e taxa de desemprego estável em 4,3%. Os salários mostraram avanço de cerca de 3,4% na comparação anual, segundo o Fed.

A autoridade também reafirmou preocupação com a inflação, que segue acima da meta de 2%. O índice de preços ao consumidor (CPI) acumulou alta de 4,2% em 12 meses, impulsionada especialmente pela elevação dos preços de energia em função do conflito no Oriente Médio. Medidas de núcleo permanecem acima do objetivo: o núcleo do CPI está em 2,9% e o núcleo do PCE, índice preferido pelo Fed, permanece em torno de 3,3%.

Na atualização de projeções econômicas, os dirigentes do Fed passaram a estimar uma alta de 0,25 ponto percentual na taxa básica até o fim deste ano. As previsões de inflação para o fim de 2026 foram revisadas de 2,7% para 3,6%. A expectativa é de desaceleração dos preços em 2027, com inflação projetada em 2,3% para aquele ano, permitindo retorno dos juros ao nível atual até o fim de 2027 e novo recuo em 2028.

Um detalhe das projeções chamou atenção: apenas 18 dos 19 integrantes do comitê enviaram estimativas para o gráfico de pontos (“dot plot”). A identidade do membro ausente não foi divulgada; a expectativa é que tenha sido o próprio Warsh, que recentemente criticou o que considerou dar “excesso de importância” a esse conjunto de previsões.

A nova direção do Fed ocorre após meses de atritos entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o antecessor na instituição, Jerome Powell. Desde a posse de Trump, em 20 de janeiro de 2025, esta foi a 12ª decisão do Fed; no período houve três cortes de juros. Em declaração recente à NBC News, Trump afirmou que quer que Warsh “faça o que quiser”, mas voltou a defender juros mais baixos e criticou a possibilidade de novas altas.

O Fed também observou sinais de desaceleração da atividade: o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA cresceu a uma taxa anualizada de 1,6% no último trimestre, abaixo das projeções anteriores. No comunicado, a autoridade reiterou seu compromisso com os objetivos de controlar a inflação e preservar um mercado de trabalho forte.

O patamar dos juros nos EUA tem efeitos internacionais: com rendimentos mais atraentes nas Treasuries, há pressão por apreciação do dólar e potenciais impactos sobre fluxos de capital para mercados como o brasileiro, influenciando câmbio e a trajetória da taxa Selic.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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