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quinta-feira, junho 18, 2026

Lula encerra participação no G7 em Évian com encontros bilaterais e atritos públicos com Trump

Resumo da participação brasileira no G7

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concluiu nesta quarta-feira (17/06) sua décima participação em uma cúpula do G7, realizada em Évian-les-Bains, na França. Convidado ao lado de outros países em desenvolvimento, o chefe do Executivo brasileiro manteve encontros privados com lideranças de Japão, Egito, Ucrânia, França e da União Europeia, além de reuniões com o presidente da Confederação Suíça, Guy Parmelin, e com o secretário-geral da Interpol, o brasileiro Valdecy Urquiza.

No decorrer da cúpula de três dias, Lula também teve contatos nos corredores com todos os líderes presentes, inclusive com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A expectativa era alta por causa do tensionamento nas relações entre Brasil e EUA diante da possibilidade de novas tarifas americanas e da classificação de facções criminosas brasileiras como terroristas.

Troca de farpas com Trump

Em um vídeo divulgado pela imprensa, Donald Trump cumprimentou Lula nos corredores do hotel, dizendo em inglês “Everything good? Good job” e dando um tapinha nas costas do presidente brasileiro. No entanto, ao final do evento, em coletivas separadas, os dois fizeram críticas públicas entre si. Trump afirmou que o Brasil se tornou “perigoso do ponto de vista político” e fez menção, de forma confusa, à condenação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro pelo STF.

Em resposta, Lula declarou, em entrevista concedida em Genebra, que espera que Trump respeite a soberania do Brasil e que não intervenha nas eleições do país. “Para mim, ele pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto… Agora, não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil são um problema do Brasil”, afirmou o presidente. O Palácio do Planalto informou que segue negociando com Washington depois do anúncio americano de possível taxação extra de 25% sobre parte das importações brasileiras.

Lula também disse que sua equipe não havia solicitado reunião bilateral com Trump durante o G7 porque os temas já eram tratados por diplomatas e técnicos, e afirmou que, se necessário, não teria problema em ligar para o presidente americano após as negociações.

Reunião com Zelensky e posição sobre a guerra

No último dia da cúpula, Lula se encontrou a portas fechadas com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. Segundo Lula, foi o melhor encontro que já teve com o ucraniano e, pela primeira vez, percebeu Zelensky “com disposição de encontrar solução” para o conflito. “Ajudarei no que puder”, disse o presidente brasileiro.

Lula afirmou que reforçou a necessidade de atuação mais efetiva dos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (China, Rússia, EUA, França e Reino Unido), que têm poder de veto, e comprometeu-se a telefonar para esses cinco países para cobrar maior envolvimento. Em suas redes sociais, Zelensky descreveu o encontro como “uma boa reunião” e informou que ambos concordaram em manter novos contatos.

Diálogo com a União Europeia sobre barreiras sanitárias

Em encontro bilateral com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, Lula tratou da decisão da UE de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil, medida que deve entrar em vigor a partir de 3 de setembro. A proibição foi anunciada pela Comissão Europeia com base na avaliação de que o Brasil não comprovou atendimento a exigências sanitárias europeias.

Após as conversas, o veto não foi suspenso, mas foi acordado que haverá acompanhamento mais político das negociações fitossanitárias, em vez de ficar restrito a diálogo técnico, e também maior acompanhamento sobre as tratativas relativas à exportação de produtos siderúrgicos. Em abril, a UE havia acordado elevar de 25% para 50% as tarifas sobre importações de aço acima de cotas e reduzir volumes isentos.

Von der Leyen afirmou nas redes sociais que Europa e Brasil “olham para o mundo com os mesmos olhos” e que o acordo provisório entre União Europeia e Mercosul, em vigor desde maio, é “apenas o começo” da parceria.

Declarações do G7 e alinhamento limitado do Brasil

Ao todo, os líderes do G7 aprovaram nove declarações durante a cúpula, das quais oito podiam ser endossadas por países convidados. O Brasil concordou apenas com três textos: combate ao câncer, garantia de um espaço digital seguro para crianças e adolescentes e luta contra o tráfico de drogas. O país não assinou declarações sobre desequilíbrios macroeconômicos, ebola, minerais críticos, parcerias internacionais para desenvolvimento e combate ao contrabando de migrantes.

Negociações com Japão e Mercosul

Perto do fim da cúpula, Lula se reuniu com a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi. Após o encontro, Mercosul e Japão anunciaram o lançamento formal de negociações para um acordo de parceria econômica, com a abertura oficial prevista para a 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados, no final de junho, em Assunção, Paraguai. As partes informaram ter trocado informações sobre áreas de interesse e sensibilidades mútuas e se disseram satisfeitas com o progresso inicial.

O lançamento das negociações acompanha uma estratégia japonesa de diversificação comercial diante de barreiras adotadas pelos EUA e restrições chinesas a materiais como terras raras, e coloca o Mercosul como parceiro relevante por ainda não ter um acordo de livre comércio com o Japão.

Fim da reportagem.

G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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