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quinta-feira, junho 18, 2026

Polícia Federal cumpre mandados na 9ª fase da Operação Compliance Zero; histórico do Banco Pleno até liquidação pelo BC

Quem e o que: A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (18), a 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema bilionário de fraudes, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução de Justiça ligado ao Banco Master. Entre os alvos da ação estão o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o banqueiro Augusto Ferreira Lima, proprietário do Banco Pleno, instituição cuja liquidação extrajudicial foi decretada pelo Banco Central em fevereiro.

Trajetória da instituição: O banco integrava o grupo Banco Master e foi vendido no segundo semestre do ano passado a Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro. A entidade passou por diversas mudanças de controle e estratégias ao longo das décadas, desde sua origem como Banco Indusval & Partners (BI&P), fundado em 1967, com foco em crédito corporativo e financiamento ao agronegócio.

Em 2019, sob o comando do empresário Roberto de Rezende Barbosa, a instituição adotou o nome Banco Voiter e buscou reduzir a estrutura e apostar em serviços digitais, sem, contudo, alcançar estabilidade financeira. Com a persistência de dificuldades operacionais, os controladores passaram a negociar a venda do banco.

Em 2023 houve tentativa de venda à Capital Consig, que previa aporte de R$ 100 milhões e transferência de controle, mas a operação não se concretizou. Posteriormente, surgiram negociações com Daniel Vorcaro e, no início do ano seguinte, o acordo incluía a incorporação de áreas de atacado, corretora e gestoras ao conglomerado do Master. Em julho de 2025, o Banco Central autorizou a transferência de controle a Augusto Ferreira Lima, que deu origem ao Banco Pleno.

Disputa judicial entre vendedores e Master: Após a transação, a família Rezende Barbosa moveu ação contra o grupo Master relacionada a uma debênture de R$ 400 milhões emitida pela controladora. Segundo os vendedores, uma primeira parcela de R$ 100 milhões não foi paga e valores previstos em aditivo também ficaram pendentes; o Master afirmou que credores exigiram antecipação do contrato. A família ingressou com processo em São Paulo com valor estimado em R$ 470,5 milhões, mas desistiu após acordo homologado no início de novembro, dias antes da intervenção do Banco Central no grupo.

Problemas de liquidez e números: A autorização da venda continha exigência de apresentação de plano para enfrentar eventuais problemas de liquidez. Ainda assim, o banco manteve forte dependência de captações por depósitos a prazo, especialmente Certificados de Depósito Bancário (CDBs). Em setembro, dados do Banco Central indicavam passivos em torno de R$ 6,8 bilhões, dos quais cerca de R$ 5,2 bilhões em CDBs e aproximadamente R$ 760 milhões em letras financeiras.

Com a elevação da percepção de risco, esses títulos passaram a ser negociados no mercado secundário com taxas bem acima do CDI, sinalizando vendas forçadas e perda de confiança. A participação do Banco Pleno no sistema financeiro era reduzida: até setembro do ano passado, concentrava cerca de 0,04% dos ativos do setor (equivalente a aproximadamente R$ 7,2 bilhões) e 0,05% das captações (por volta de R$ 6,5 bilhões).

Decisão do Banco Central: O Banco Central informou que a liquidação extrajudicial foi adotada em razão do agravamento da situação econômico-financeira, com deterioração da liquidez e dificuldades para cumprir obrigações diárias, além de constatada a infração às normas que regem a atividade e o não atendimento às determinações da autoridade reguladora.

Fim da notícia.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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