Alvo de mandados da Polícia Federal, Augusto Lima já foi preso preventivamente e teve o Banco Pleno liquidado pelo BC
Quem: Augusto Ferreira Lima, controlador do Banco Pleno desde julho de 2025 e ex-sócio de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, preso em Brasília.
O quê e quando: Na manhã desta quinta-feira (18 de junho de 2026), Lima foi alvo de mandados de busca e apreensão da nona fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. A ação investiga atos relacionados às operações do Banco Pleno e de entidades associadas.
Onde: A sede do Banco Pleno estava localizada na Alameda Santos, no bairro dos Jardins, em São Paulo.
Contexto processual e prisão anterior: Segundo a investigação, Lima já havia sido preso preventivamente em novembro de 2025 no âmbito da mesma operação. Em fevereiro de 2026, o Banco Central do Brasil decretou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno e da Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM).
Defesa: Em nota, a defesa de Augusto Lima afirmou que “as diligências realizadas pela Polícia Federal nesta data eram desnecessárias, uma vez que Augusto Lima está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração” e que “os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos”. O comunicado ainda diz que “Augusto Lima sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública”.
Investigação e ligações políticas: Investigações da PF, que analisaram dados de celulares vinculados a Daniel Vorcaro, indicam que Lima atuou para que o BRB adquirisse carteiras do Banco Master. Reportagens apontam vínculos do banqueiro com políticos baianos, incluindo o ministro Rui Costa (Casa Civil) e o senador Jaques Wagner (PT-BA). Lima ganhou visibilidade ao adquirir a rede de supermercados Cesta do Povo na privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), negócio que incluiu o Credcesta, cartão de benefícios voltado a servidores e posteriormente ampliado em parceria com o Banco Master.
Decisão do Banco Central: O BC informou que, até setembro do ano passado, o conglomerado controlado por Lima representava cerca de 0,04% dos ativos do sistema financeiro (aproximadamente R$ 7,6 bilhões sobre mais de R$ 18 trilhões) e 0,05% nas captações (cerca de R$ 6,5 bilhões sobre mais de R$ 13 trilhões). A autoridade apontou deterioração da liquidez, dificuldades para cumprir obrigações e descumprimento de normas e determinações do próprio Banco Central como motivos para a liquidação extrajudicial. O BC declarou que continuará apurando responsabilidades, com possibilidade de sanções administrativas e envio de informações a outras autoridades. Com a liquidação, os bens dos controladores e administradores ficaram indisponíveis.
Outros fatos relacionados: Lima foi CEO do Banco Master, buscou contratar o ex-ministro Ricardo Lewandowski como consultor jurídico do Banco Master, segundo relatos com intermediação do senador Jaques Wagner, e participou da reunião entre Daniel Vorcaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no final de 2024.
Fonte: G1


