Empresas americanas pedem exclusão do Brasil de proposta de tarifa adicional
Empresas dos Estados Unidos que dependem de insumos e matérias-primas do Brasil têm pressionado o governo americano para excluir produtos brasileiros de uma proposta de sobretaxa de 25% apresentada pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR). O argumento central é que muitos desses itens não têm fornecedores alternativos que igualem a combinação de qualidade, escala e preço oferecida pelo Brasil.
O CEO da CM Paula, George White, disse à reportagem que a compra de produtos brasileiros é uma necessidade operacional: o país reúne infraestrutura de mineração e beneficiamento difícil de reproduzir em outros locais, segundo ele. A empresa relatou impactos já sofridos por aumentos tarifários anteriores, incluindo redução de despesas, demissões, cortes em marketing e reajustes de preço no atacado.
Além da GeoCentral, ao menos outras 11 empresas e associações setoriais encaminharam manifestações ao USTR contestando a medida; ao menos nove são companhias americanas. Nos documentos, atores dos setores de pisos, construção, mineração, educação e habitação sustentam que muitos insumos brasileiros não têm substitutos equivalentes no mercado dos EUA e que a sobretaxa elevaria custos para empresas e consumidores sem fortalecer a produção doméstica.
Entre as empresas que solicitaram exclusões estão importadores e distribuidores que apontaram a indisponibilidade de espécies de madeira nativas da América do Sul, a singularidade geológica de pedras naturais brasileiras e a importância de componentes para o setor imobiliário. Organizações de habitação modular e fornecedores de materiais usados no ensino odontológico também relataram prejuízos potenciais.
O USTR iniciou a investigação citando práticas brasileiras que, segundo o órgão, onerariam ou restringiriam o comércio, listando temas como o sistema de pagamentos PIX, combate ao desmatamento ilegal, pirataria e aplicação de leis anticorrupção. A proposta entrou em consulta pública, com possibilidade de audiência, e deve ser analisada antes de uma decisão final.
O Itamaraty informou que o Brasil tem buscado reverter a proposta por meio de contestações técnicas e negociações diplomáticas com Washington. A Câmara Americana de Comércio no Brasil (Amcham) também afirmou que acompanha o processo, tem promovido diálogo entre empresas e autoridades e prepara novas contribuições ao USTR sobre os possíveis efeitos das sobretaxas nas cadeias de suprimentos.


