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Resumo
Filho de um professor de Matemática e de uma nutricionista, Lucca recebeu, em 2025, diagnóstico de superdotação após avaliação psicológica que indicou quociente intelectual (QI) de 136, acima do parâmetro de 130 usado para caracterizar a condição.
Trajetória e conquistas
O estudante chamou atenção ao ser aprovado na Universidade Estadual do Ceará (UECE), em que obteve o 29º lugar no curso de licenciatura em Matemática, com 190 pontos. Em 2025, Lucca foi primeiro colocado no Nível 1 da Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM), alcançando nota máxima. Também conquistou medalhas de ouro na Olimpíada Brasileira de Física (OBF) e na Olimpíada Brasileira de Informática (OBI).
Para 2026, ele pretende manter desempenho elevado na OBM, buscar uma vaga entre os três primeiros na Olimpíada Cearense de Matemática (OCM) e assim se classificar para a Olimpíada Rioplatense de Matemática. No ano anterior, Lucca já havia recebido medalha de ouro e ficou como primeiro suplente para uma competição internacional.
Como tudo começou
A família passou a suspeitar de altas habilidades durante um cursinho preparatório para o Colégio Militar, em 2023. Apesar de boas notas regulares, Lucca destacou-se nos simulados e chegou a manter-se nas primeiras posições. Ele não conseguiu vaga no colégio naquele ano; no ano seguinte, com simulados mais frequentes, em uma prova terminou a avaliação 1h30 antes do tempo limite devido à facilidade em resolver as questões e, posteriormente, foi aprovado com nota máxima em outra seleção.
Rotina, interesses e educação
Apesar do destaque acadêmico, os pais ressaltam que Lucca continua criança: gosta de brincar, colecionar figurinhas da Copa do Mundo, viajar, jogar bola e ir à praia. O pai, José Aragão, descreve-o como afetuoso e responsável, alternando comportamentos de mais maturidade com traços infantis.
Lucca frequenta aulas no Colégio Militar e, para preparação em olimpíadas e concursos, participa como convidado da escola Farias Brito, onde estudou desde a infância. A rotina de estudos soma entre 10 e 12 horas diárias, incluindo aulas e estudo individual. A mãe auxilia em disciplinas que ele considera menos atraentes, como Português e Biologia, e reserva os domingos para atividades fora de casa.
Esportes e habilidades
Na infância, Lucca praticou futebol e mostrou percepção tática e visão espacial do campo. Depois jogou tênis de mesa e, atualmente, faz aulas de jiu-jitsu, nas quais também demonstra facilidade para assimilar movimentos.
Visão de especialistas e papel da escola
Carina Rondini, presidente do Conselho Brasileiro de Superdotação (ConBraSD), avalia que pais de filhos únicos ou primogênitos podem demorar a identificar altas habilidades por falta de comparação e conhecimento sobre desenvolvimento infantil. Rondini defende políticas públicas de formação de professores e medidas escolares que ofereçam desafios e enriquecimento ao aluno superdotado, como acesso a aulas avançadas ou projetos de pesquisa.
A psicóloga Denise Arantes, diretora do Núcleo Paulista de Atenção à Superdotação (Npas), observa que a alta habilidade costuma vir acompanhada de motivação intrínseca e facilidade de aprendizado, mas que isso exige estímulo, dedicação e estratégias de estudo para se concretizar. Segundo ela, sem esses elementos, o potencial pode não se desenvolver plenamente.
Os pais afirmam que não pretendem antecipar a série escolar de Lucca, preferindo que ele vivencie cada fase. Também trabalham para evitar pressão excessiva por resultados.
Fonte: G1 – matéria original


