16.5 C
Uberlândia
quinta-feira, julho 9, 2026

Agricultores dos EUA mudam horários de colheita e protegem mudas diante de calor extremo

Produtores ajustam rotina e infraestrutura para enfrentar ondas de calor mais frequentes

Produtores agrícolas nos Estados Unidos vêm alterando horários de trabalho e adotando medidas para proteger mudas e culturas diante de ondas de calor intensas, que têm encurtado janelas de plantio e aumentado o risco de perdas nas safras. A situação foi relatada em propriedades do Kentucky e de Iowa afetadas pela recente cúpula de calor, registrada em 1º de julho de 2026.

Em Brooksville, Kentucky, Annie Woods colheu abobrinhas da variedade Eight Ball ao anoitecer na quarta-feira, 1º de julho de 2026, e relatou que mesmo após o pôr do sol o calor ainda se faz presente. Woods trabalha nos períodos mais frescos do dia — manhã e fim da tarde — faz pausas frequentes para hidratação e, quando necessário, monta tendas no campo para criar sombra durante a colheita manual.

O calor extremo, associado a chuvas e alta umidade, também tem favorecido doenças e pragas que comprometem a produtividade. Por isso, Woods prioriza a colheita de cultivos mais sensíveis, como folhas para salada, e mantém atenção especial às mudas destinadas às plantações de outono. Ela guarda bandejas com mudas em um armário dentro do celeiro para manter temperaturas mais baixas e, após a germinação, transfere-as para uma estufa equipada com ventiladores para controlar o ambiente. “Precisamos verificar a estufa constantemente e regar com frequência para manter vivas essas mudinhas tão pequenas”, disse Woods.

No centro de Iowa, o produtor Paul Rasch acelerou a colheita de framboesas, reduzindo de cerca de três semanas para dias a janela disponível para colher a fruta altamente perecível. Em algumas jornadas, a equipe inicia o trabalho às 6h da manhã e encerra antes do meio-dia para evitar calor excessivo. Rasch instalou ar-condicionado em prédios da propriedade, ampliou áreas sombreadas para visitantes e testa estufas do tipo high tunnel para estabilizar condições de cultivo.

Pequenas propriedades que cultivam grande diversidade de produtos veem nessa estratégia uma forma de mitigar prejuízos: quando uma cultura falha, outras podem prosperar. No entanto, produtores de frutas, hortaliças e culturas especiais enfrentam limitações no acesso a seguros agrícolas. Duncan Orlander, especialista em políticas públicas da National Sustainable Agriculture Coalition, afirmou que os programas federais foram projetados para lavouras únicas e anuais, como milho, soja e trigo, o que torna a contratação de apólices para diversas pequenas culturas burocrática ou inviável.

Orlander acrescentou que existem modalidades de seguro que garantem a receita total da propriedade, e não culturas específicas, mas elas são complexas e pouco utilizadas. Para produtores como Woods, modelos como a agricultura apoiada pela comunidade (CSA) oferecem maior flexibilidade, pois os consumidores financiam a fazenda ao longo da temporada independentemente das variações nas entregas, reduzindo o impacto financeiro quando ocorrem perdas por eventos climáticos extremos.

Produtores entrevistados relatam que as ondas de calor têm ocorrido com maior frequência, intensidade e duração, somando-se a enchentes, secas e geadas tardias e ampliando os desafios de manter safras estáveis durante todo o ano.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
Últimas Notícias
Veja também