O Estreito de Ormuz voltou a ganhar destaque internacional depois de uma nova escalada entre Estados Unidos e Irã. No dia 8 de julho, os EUA realizaram ataques contra alvos iranianos em retaliação a ofensivas de Teerã contra embarcações comerciais que transitavam pela região, e o governo iraniano afirmou que poderia fechar novamente a passagem, elevando a tensão no Oriente Médio.
Localizado entre o Golfo Pérsico, ao norte, e o Golfo de Omã, ao sul, o Estreito de Ormuz despeja suas águas no Mar da Arábia. Na sua seção mais estreita, a passagem tem 33 km de largura, sendo que os canais de navegação têm apenas cerca de 3 km em cada sentido, o que concentra o tráfego marítimo em rotas muito delimitadas.
Essa estreita faixa marítima é considerada uma das principais artérias do comércio global de petróleo: aproximadamente 20% do petróleo consumido no mundo passa por ali. Dados da plataforma de monitoramento marítimo Vortexa apontam que, entre o início de 2022 e maio de 2025, circulou diariamente pelo estreito entre 17,8 e 20,8 milhões de barris — somando petróleo bruto, condensado e combustíveis.
Membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), como Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque, dependem do Estreito de Ormuz para a maior parte de suas exportações, muitas delas direcionadas ao mercado asiático. O fechamento temporário do estreito em períodos de conflito já provocou impactos relevantes no abastecimento global.
O Catar, que está entre os maiores exportadores mundiais de gás natural liquefeito, também utiliza quase toda a sua produção por essa rota. Para reduzir a dependência do estreito, Emirados Árabes e Arábia Saudita têm buscado opções alternativas de escoamento. Segundo a Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA), havia cerca de 2,6 milhões de barris por dia de capacidade ociosa em oleodutos desses países, dados de junho de 2024, que poderiam ser usados para contornar o Estreito de Ormuz.
Autoridades e mercados reagiram à nova tensão: o anúncio de um acordo de paz recente chegou a provocar queda nos preços do petróleo na abertura do pregão de segunda-feira, enquanto a ameaça iraniana de bloquear a passagem reacende temores sobre possíveis interrupções no fornecimento global.
Fonte: G1


