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terça-feira, maio 19, 2026

Americana improvisa com carro de brinquedo e altas tarifas de gasolina alteram hábitos nos EUA

Alta do preço da gasolina leva americanos a soluções improvisadas e mudanças de comportamento

O aumento do preço da gasolina nos Estados Unidos tem levado a respostas inusitadas e a ajustes no dia a dia. Em Savannah, na Geórgia, o faz‑tudo Mali Hightower, de 30 anos, reaproveitou um carrinho elétrico da linha Power Wheels — um Barbie Dream Camper — encontrado no lixo, para reduzir idas ao posto.

Hightower instalou um pequeno motor movido a gasolina — com capacidade para dois galões — e adaptou um pistão de lavadora de alta pressão ao brinquedo. O veículo modificado é acionado por um cabo de puxar semelhante ao de um cortador de grama. Ele o utiliza para ir ao supermercado, usando capacete de motociclista, e instalou um suporte no teto para transportar mantimentos. Seu carro principal, um Mercedes‑Benz conversível de 1996, custa cerca de US$ 90 para abastecer, motivo que o levou a adotar a alternativa. “É muito caro”, disse Hightower.

Em 18 de maio, o preço médio do galão de gasolina comum nos EUA foi de US$ 4,52, segundo a Associação Automobilística Americana (AAA). Antes do início da guerra no Irã, a média situava‑se em torno de US$ 3 por galão. Um galão americano equivale a aproximadamente 3,8 litros.

Além de improvisos individuais, a escalada nos preços tem alterado hábitos de consumo e deslocamento em várias regiões. Pesquisa da Ipsos divulgada em 28 de abril pelo Washington Post e pela ABC News apontou que 44% dos americanos reduziram o número de viagens de carro.

Em Massachusetts, Renee Tocci, diretora executiva do Camp Farley, afirmou ter gasto quase US$ 40 a mais do que o habitual para abastecer seu Buick Enclave, o que a motivou a lançar um acampamento noturno para reduzir custos com transporte das famílias. Ela começou a mencionar os custos de combustível em postagens e e‑mails de marketing para atrair inscritos.

Na Costa Oeste, a criadora de conteúdo Dafne Flores, de 28 anos, moradora de Silverdale (Washington), passou um período em Los Angeles deixando o carro estacionado e usando transporte público. Abastecer seu Toyota Highlander passou a custar ao menos US$ 95, e ela tem evitado viagens superiores a oito quilômetros e postos junto a rodovias, onde já observou preços próximos de US$ 9 por galão.

No Maine, o sistema de ônibus de Bangor registrou aumento de 21% no número de passageiros desde janeiro, informou a administradora de trânsito Laurie Linscott, com maior crescimento nos horários de pico e usuários de perfis variados.

Promoções e iniciativas solidárias também têm surgido. Um posto na Califórnia registrou filas superiores a uma hora após oferta de até US$ 100 em combustível para os primeiros 100 atendidos, em ação da agência Visit Las Vegas. Motoristas disseram que o valor cobriria apenas alguns dias de consumo. Em Los Angeles, moradores relatam reduzir deslocamentos dentro da cidade para economizar.

Em Chicago, a CityPoint Community Church planeja distribuir US$ 5.000 em cartões de gasolina de US$ 25 cada; o pastor Demetrius Davis informou que mais de 70 cartões já foram entregues após cultos do Dia das Mães.

Embora a crise não tenha impulsionado um aumento imediato nas vendas de veículos elétricos, proprietários desses modelos têm sentido alívio. John Stringer, presidente do grupo Tesla Owners of Silicon Valley, publicou um vídeo no TikTok mostrando preços altos em um posto, em tom de brincadeira, e exibindo seu Cybertruck como exemplo de isenção do custo do combustível.

As adaptações vão de improvisos individuais a mudanças de comportamento e iniciativas comunitárias, à medida que consumidores e organizações buscam alternativas diante da elevação dos preços de combustíveis.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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