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quarta-feira, julho 8, 2026

Anfavea critica prorrogação de isenção para importação de carros chineses e diz que medida cria “competição desigual”

Quem: Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), liderada por Igor Calvet.

O que: A entidade voltou a questionar a decisão do Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex) de prorrogar a isenção do imposto de importação para veículos elétricos desmontados e semimontados.

Quando e por quanto tempo: A renovação da cota sem impostos foi feita em junho; a isenção vale por seis meses a partir de 1º de julho de 2026, até janeiro de 2027. O volume autorizado sem tributação é de US$ 463 milhões para esse período.

Onde: A medida afeta o mercado automotivo brasileiro, em especial as montadoras com instalações industriais no país e as fabricantes chinesas que importam kits desmontados.

Como e por que a Anfavea critica: Segundo Igor Calvet, a extensão do benefício favorece empresas que privilegiam importações — em especial marcas chinesas — porque elas se beneficiam de logística e custo de capital mais baixos, tornando difícil a concorrência para montadoras com produção estabelecida no Brasil. A associação também reclama que não houve consulta prévia ao setor antes da prorrogação do incentivo.

A diretora tributária e de comércio exterior da Anfavea, Andrea Serra, afirmou que o critério atual para divisão da cota, baseado no volume de importações realizadas pela empresa, não representa adequadamente a situação atual do mercado. Ela sugeriu que a referência deveria considerar apenas os últimos seis meses para refletir um quadro mais atualizado. Pelas regras vigentes, cerca de 80% da cota isenta pode ficar concentrada na BYD.

Para a entidade, se toda a indústria migrasse para os regimes de montagem CKD (completely knocked down) e SKD (semi knocked down), a estrutura de montagem reduziria substancialmente a necessidade de mão de obra: estimativas da Anfavea indicam que, para cada 10 trabalhadores necessários à produção integral de um veículo no Brasil, seriam suficientes cerca de três em regimes de montagem. A associação alerta que isso poderia resultar na perda de aproximadamente 70% dos empregos do setor automotivo.

Posição do governo e das chinesas: O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Márcio Elias Rosa, declarou em entrevista ao programa “Bom dia, Ministro”, da EBC, que a decisão do governo buscou beneficiar principalmente o consumidor e o mercado, sem objetivo de prejudicar a indústria nacional. Representantes das montadoras chinesas, como a BYD, defendem que a importação de kits desmontados é fundamental para viabilizar a instalação gradual de fábricas no país; o vice-presidente sênior da BYD, Alexandre Baldy, afirmou que o início pelas etapas de montagem é prática comum e necessária.

Impacto no mercado e números: A Anfavea elevou sua projeção para as vendas de veículos no Brasil em 2026, passando a prever mais de 3 milhões de unidades vendidas no ano, crescimento de 11,7% sobre 2025 (era 2,7% em janeiro). A produção prevista subiu para cerca de 2,8 milhões de veículos, alta de 5,8% em relação a 2025.

No primeiro semestre de 2026, a indústria produziu 1,372 milhão de veículos, aumento de 8,8% ante 2025 — o melhor desempenho para o período desde 2019. As vendas de automóveis no semestre subiram 23,7% (208 mil unidades a mais). O segmento de veículos eletrificados somou cerca de 130 mil unidades no semestre, sendo 70 mil produzidas localmente e 60 mil importadas; em junho, eletrificados representaram 20,9% das vendas de leves.

Por outro lado, as exportações recuaram: em junho os embarques caíram 26,7% ante o ano anterior, e no acumulado do semestre as exportações foram 216,6 mil veículos (-21,2%). A Anfavea atribui a queda à menor demanda da Argentina e à concorrência de veículos da China e do México. A expectativa agora é de retração de 12,8% nas exportações em 2026 (projeção anterior em janeiro apontava alta de 1,5%).

As importações trouxeram 280,6 mil veículos entre janeiro e junho, e a China foi responsável por metade desse volume. Segundo a associação, em um ano o número de automóveis chineses vendidos no Brasil dobrou, passando de cerca de 70 mil para 140 mil unidades.

Quem mais está se instalando: Além da BYD, empresas como GWM, Geely e marcas do grupo Chery vêm iniciando produção em fábricas próprias no Brasil.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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