A Anthropic, desenvolvedora do chatbot Claude, está nos preparativos para uma oferta pública inicial (IPO) que, segundo documentos da própria empresa, poderia avaliá-la em até US$ 2 trilhões e levantar mais de US$ 100 bilhões. A possível captação colocaria a empresa entre as maiores estreias na bolsa em termos de valor arrecadado.
Os registros apresentados pela companhia também detalham o custo financeiro da expansão. No primeiro semestre de 2026, a Anthropic reportou receita de US$ 16,3 bilhões, cifra que representa um aumento de 14 vezes em relação ao mesmo período do ano anterior e foi impulsionada principalmente pela adoção das ferramentas de inteligência artificial pela clientela corporativa.
Apesar do crescimento da receita, a empresa acumulou um prejuízo contábil superior a US$ 80,7 bilhões entre janeiro e junho de 2026, valor bem acima dos US$ 13 bilhões de prejuízo registrados no mesmo intervalo de 2025. Os documentos apontam que o resultado inclui um encargo extraordinário de US$ 72,4 bilhões ligado a notas conversíveis — instrumentos de dívida que podem ser convertidos em participação acionária —, o que ampliou a perda contábil sem necessariamente refletir uma saída de caixa equivalente.
A empresa já havia captado cerca de US$ 130 bilhões em investimentos privados e avalia que a abertura de capital poderia ampliar os recursos disponíveis para financiar seu crescimento. Caso consiga levantar mais de US$ 100 bilhões, a Anthropic poderia superar a SpaceX e estabelecer um novo recorde de arrecadação em IPOs.
Em maio, a Anthropic já havia se posicionado à frente da OpenAI em avaliação de mercado, com US$ 900 bilhões, contra US$ 730 bilhões da concorrente. A OpenAI, por sua vez, avalia uma nova rodada de financiamento que poderia elevar sua avaliação para US$ 1,5 trilhão antes de uma eventual oferta pública.
A operação de listagem da Anthropic será coordenada pelos bancos Goldman Sachs e Morgan Stanley. A empresa informou que pretende negociar suas ações na Nasdaq sob o código ANT, mas ainda não definiu o número de ações a serem emitidas nem o preço dos papéis.
O relatório corporativo também aborda riscos potenciais associados à inteligência artificial, incluindo perda de controle sobre sistemas e uso da tecnologia para fins autoritários. Em comunicado conjunto, Dario Amodei, presidente-executivo da Anthropic, e os demais fundadores afirmaram que “acreditamos que a IA é uma das tecnologias mais importantes da história da humanidade”. Em outro trecho, os executivos ressaltaram a natureza ambivalente da tecnologia: “Criar IA é aproveitar a própria cognição, e algo tão poderoso pode ser usado tanto para o bem quanto para o mal”.
Amodei tem defendido maior atenção à segurança e à regulamentação da IA, posição que gerou críticas de outros líderes do setor, como Jensen Huang, da Nvidia, e Mark Zuckerberg, da Meta, que o acusaram de buscar centralizar o poder sobre a tecnologia.
Fundada em 2021 por ex-funcionários da OpenAI que divergiam quanto ao caminho de desenvolvimento da inteligência artificial, a Anthropic ganhou participação no mercado oferecendo ferramentas de programação que atraíram clientes corporativos e aceleraram sua expansão. Ainda assim, o ambiente de mercado segue incerto, com outras empresas adiando ofertas públicas diante de dúvidas sobre o retorno dos investimentos em IA.
Fonte: Uberlandianofoco


