ApexBrasil anuncia plano de apoio à exportação para empresas atingidas pelo “tarifaço” dos EUA
ApexBrasil divulgou nesta terça-feira (11) um programa de R$ 210 milhões para auxiliar empresas brasileiras afetadas pelas novas tarifas impostas pelos Estados Unidos a ampliar sua presença em outros mercados. A iniciativa, que tem início previsto para quarta-feira (12), atenderá 5.300 das 5.600 empresas consideradas impactadas e abrangerá 35 setores apontados como prejudicados pelo chamado “tarifaço”.
Segundo a agência, a estratégia combinará inteligência comercial, identificação de novos compradores e ações específicas por segmento. O anúncio foi feito em coletiva em São Paulo, com participação de 28 entidades prejudicadas pelas medidas americanas. Estiveram presentes Igor Brandão, gerente-geral da ApexBrasil em Miami; Laudemir Müller, presidente da ApexBrasil; Maria Paula Velloso, diretora de negócios; e Gustavo Ribeiro, da área de inteligência.
Laudemir Müller afirmou que “nossa capacidade pretende atender 5.300 empresas, se a gente precisar chegar a 5.600 a gente consegue se organizar pra isso, mas não imaginamos que todas irão procurar atendimento”. Ele destacou como prioritários para a diversificação mercados como Canadá, México, Alemanha, Turquia, África do Sul, Nigéria, Etiópia, Indonésia, Singapura, Índia e China.
O programa começará a operar a partir do site da ApexBrasil na data anunciada, com ficha de inscrição que pedirá identificação da empresa, volume exportado e o objetivo do apoio. Müller ressaltou que a meta não é recuperar o montante de R$ 210 milhões, mas tornar as empresas aptas a exportar: “Se no ano que vem, em julho, pudermos falar que batemos mais um recorde, a nossa tarefa estará cumprida”.
Entre os objetivos declarados do plano estão: apoiar setores e empresas exportadoras impactadas pelas tarifas; promover a diversificação de mercados; manter ações de promoção comercial no mercado americano; e isentar da taxa de participação em ações diretas as empresas afetadas.
ApexBrasil informou que irá implementar 77 ações na Europa, 85 na América Latina, 23 no Canadá e México, 16 na África, 46 na Ásia e 11 no Oriente Médio.
O anúncio foi feito no contexto das medidas anunciadas pelos EUA em julho, que aplicaram sobretaxas adicionais de 25% a determinados produtos e de 12,5% em outra frente; quando incidem simultaneamente, a sobretaxa pode chegar a 37,5%. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), 23,1% das exportações brasileiras aos EUA estão sujeitas às novas sobretaxas, e outros 24,2% são alcançados por tarifas setoriais previstas na Seção 232.
O movimento ocorre em um momento de perda de participação americana nas exportações brasileiras. No primeiro semestre de 2026, o Brasil exportou US$ 17,4 bilhões para os Estados Unidos, queda de 13% em relação ao mesmo período de 2025, reduzindo a participação dos EUA nas vendas externas de 12,1% para 9,4%.
Em 2025, as exportações brasileiras para os EUA somaram US$ 37,7 bilhões, ante recorde de US$ 40,4 bilhões em 2024. Ainda conforme dados usados pelo MDIC, pouco mais da metade — 52,7% — das exportações brasileiras aos Estados Unidos (considerando 2024) não está sujeita às novas sobretaxas das Seções 301 nem às tarifas setoriais da Seção 232; entre esses produtos estão café, carnes, aeronaves, suco de laranja, frutas, vários produtos químicos e a maior parte da celulose exportada.
A ApexBrasil ressaltou que a estratégia não visa substituir o mercado americano, mas reduzir a dependência dele. A agência observou que 72% das 2,4 mil empresas atendidas pela instituição que exportam para os Estados Unidos já vendem para pelo menos um mercado adicional. O plano apresentado detalhará como acelerar essa diversificação e quais países e mercados serão priorizados por setor.
Fonte: G1


