Resumo: O Brasil manteve, entre 2014 e 2026, a liderança acadêmica na América Latina segundo a série histórica do Center for World University Rankings (CWUR), mas sofreu recuos no cenário global, com 45 universidades nacionais registrando queda no ranking.
Quem e o que
De acordo com a análise do g1 sobre os dados do CWUR, o Brasil consolidou seu protagonismo regional na última década — ocupando as principais posições do continente —, enquanto muitas das suas instituições perdiam competitividade no ranking mundial.
Quando e onde
A avaliação cobre o período de 2014 a 2026 e considera o posicionamento das universidades brasileiras tanto dentro da América Latina quanto no conjunto das 2.000 melhores do mundo listadas pelo CWUR.
Como e por quê
Instituições como a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) foram pilares da liderança regional. Porém, o levantamento mostra que a maior parte das universidades nacionais registrou perdas atribuídas, segundo o CWUR, à insuficiência de investimentos, o que dificultou a manutenção e o avanço de indicadores como qualidade da educação, empregabilidade, corpo docente e pesquisa.
Trajetória da USP
A USP permaneceu como referência brasileira e latino-americana ao longo de toda a série. Em 2014, a universidade aparecia em 131º lugar no mundo; alcançou seu ápice histórico entre 2018 e 2019, quando chegou à 77ª posição. Após esse pico, houve oscilações: entre 2020 e 2024 ficou entre as posições 103 e 117; em 2025 caiu para 118ª e, em 2026, ocupou o 119º lugar. O CWUR aponta perdas em indicadores estruturais e o presidente da organização, Dr. Nadim Mahassen, atribui esse movimento a “anos de financiamento inadequado e a desvalorização da ciência e da educação como bens públicos”. Apesar da queda recente, a USP terminou o período com um ganho líquido de 12 posições em relação a 2014.
Panorama regional e global
Em 2014, o Brasil tinha aproximadamente 18 instituições no Top 1.000; em 2026 o número subiu para 52 universidades entre as 2.000 melhores, incluindo centros especializados como Fiocruz, IMPA e ITA. A principal concorrência regional veio do México: a Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM) passou de 337ª em 2014 para 287ª em 2026, tornando-se a segunda melhor da América Latina e aproximando-se das vice-líderes brasileiras.
A Argentina, pela Universidad de Buenos Aires (UBA), registrou avanço moderado, indo de 378ª em 2014 para 354ª em 2026. No entanto, o relatório destaca que 87% das instituições brasileiras e de vários países vizinhos sofreram queda no período, enquanto universidades chinesas subiram fortemente, impulsionadas por investimentos governamentais.
O topo mundial
No topo global, a série 2014–2026 mostra estabilidade: Harvard manteve a 1ª posição com pontuação máxima. As dez primeiras colocadas continuam dominadas por universidades dos Estados Unidos e do Reino Unido, embora tenha havido alterações internas, como a ascensão da University of Pennsylvania (7ª em 2026) e de Princeton (6ª em 2026). Em 2026, a China superou os Estados Unidos em número de instituições listadas (360 contra 313), com 98% das universidades chinesas subindo de posição, apontando mudança no equilíbrio global da educação superior.
Fonte: G1


