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sábado, outubro 10, 2026

Brasileiro que perdeu R$ 340 mil em apostas se alistou na Ucrânia e diz ter vencido o vício

Thiago Morais da Silva Moita, empresário de 35 anos, afirma ter vencido a ludopatia após perder cerca de R$ 340 mil em apostas on-line e se alistar no Exército da Ucrânia. Segundo ele, a decisão de deixar o Brasil ocorreu depois que dívidas e perdas sucessivas tornaram insustentável sua rotina em Iguape (SP), onde também trabalhava como motorista de aplicativo.

Quem, o que e quando

Thiago conta que fez a primeira aposta em fevereiro de 2024 e, inicialmente, teve ganhos. Em seguida, passou a registrar perdas que comprometeram sua vida financeira. Uma das maiores quebras ocorreu em uma madrugada, quando perdeu R$ 75 mil, episódio que, segundo ele, marcou o fim da trajetória financeira estável.

Como tentou parar e a escolha extrema

Antes de viajar, Thiago relata ter adotado medidas para conter o problema: entregou o controle das contas à família, solicitou a autoexclusão das plataformas de apostas, pesquisou sobre ludopatia e chegou a ficar sem trabalhar para evitar ter dinheiro em mãos. Mesmo assim, afirma que não conseguiu interromper o ciclo compulsivo.

Diante da incapacidade de parar, ele optou por se alistar na Legião Internacional de Defesa da Ucrânia. Em março deste ano, saiu do aeroporto de Viracopos, passou por Portugal, Holanda e Polônia, e entrou de ônibus na Ucrânia. A intenção, segundo Thiago, não era buscar remuneração, mas ocupar a mente e afastar-se das apostas.

Rotina na frente e percepção sobre o vício

Thiago passou por 45 dias de treinamento militar, com jornadas de 12 horas diárias, e participou de missões em diferentes regiões do país. Ele afirma que a rotina intensa, sem uso frequente do celular, o ajudou a deixar de apostar. Atualmente, diz receber cerca de R$ 23 mil por mês, valor que, segundo ele, pode ultrapassar R$ 40 mil para quem está na linha de frente, mas afirma que nenhum montante compensa o risco de vida.

Ao pesquisar seu comportamento, Thiago identificou sinais de ludopatia, transtorno reconhecido pela Organização Mundial da Saúde. Ele descreve a dependência como mais destrutiva do que drogas, afirmando que o vício “dizima famílias” e “prende a mente”.

Experiências na guerra

Poucos dias após a chegada, Thiago relata que a casa onde estava hospedado foi atingida por um bombardeio; dois colegas ficaram gravemente feridos e ele participou do resgate. Em missão posterior, perdeu um amigo brasileiro conhecido como Lisboa, morto durante outro ataque — perda que reforçou sua convicção de que dinheiro não justifica permanecer no conflito.

Ligação com a família e planos

Pai de um menino de 4 anos, Thiago conversa diariamente por chamadas de vídeo com a família e diz que sente muita falta do filho e da mãe. As férias estão previstas entre novembro e dezembro, quando pretende voltar ao Brasil; ainda não decidiu se retornará à Ucrânia para cumprir o restante do contrato militar.

Ao retornar, ele pretende transformar a experiência em uma causa contra os jogos de azar. Recomenda que quem enfrenta o mesmo problema busque informação sobre ludopatia, faça a autoexclusão das plataformas, entregue o controle financeiro a familiares e limite o acesso ao dinheiro.

Se você ou alguém próximo enfrenta dificuldades para controlar as apostas on-line, é possível solicitar a autoexclusão das plataformas autorizadas pelo governo federal por meio do sistema oficial “Autoexclusão dos sites de apostas”: https://www.gov.br/fazenda/pt-br/composicao/orgaos/secretaria-de-premios-e-apostas/autoexclusao.

Hoje, após sobreviver a bombardeios e conviver diariamente com o risco de morte, Thiago afirma que não aposta mais e se considera curado do vício. “Eu tive que vir para uma guerra para conseguir sair do vício”, disse ele.

Fonte: Paranaíba Mais

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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