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sábado, junho 20, 2026

BYD mira liderança de vendas no Brasil até 2030 com

Resumo: A BYD pretende se tornar a marca que mais vende carros no Brasil até 2030, com objetivo de produzir e comercializar 600 mil unidades por ano, afirmou ao g1 o vice-presidente sênior da empresa no país, Alexandre Baldy.

Plano e trajetória de vendas

Segundo Baldy, a meta de 600 mil veículos anuais considera tanto o mercado brasileiro quanto a América Latina. A montadora iniciou vendas no Brasil em 2022 com os modelos Tan e Han e, após lançar o hatch Dolphin em 2023, registrou crescimento expressivo. Em 2023 foram 17.937 unidades vendidas, posição 15 no ranking nacional, à frente da RAM (16.951) e da BMW (15.108).

Em 2024 a BYD avançou para 76.811 emplacamentos e o 10º lugar, superando marcas como Caoa Chery (60.929), Ford (48.311) e Citroën (33.885). Em 2025 o volume subiu para 112.814 unidades e a montadora ficou em 8º lugar, à frente de Honda (103.460) e Nissan (77.808). Para alcançar 600 mil carros por ano, a empresa precisaria multiplicar por aproximadamente seis os emplacamentos de 2025; em comparação, a Fiat liderou em 2025 com 533.710 veículos.

Desempenho no varejo e produção

No segmento de vendas no varejo, o BYD Dolphin Mini foi o modelo mais emplacado entre janeiro e abril de 2026, com 18.052 unidades, à frente do Hyundai Creta (17.197) e do Volkswagen Tera (15.495). A lista dos 10 carros mais vendidos no varejo no período inclui também Fiat Strada (14.461), Chevrolet Tracker (14.349), Volkswagen Nivus (13.683), BYD Song (13.495), Volkswagen Polo (12.778), Hyundai HB20 (11.217) e Chevrolet Onix (11.142).

Baldy afirmou que a fábrica de Camaçari (BA), que terá operação plena em breve, é peça-chave para acelerar a produção local. Ele comparou a capacidade pretendida da planta da BYD com a da Stellantis em Betim (MG), que pode produzir até 650 mil veículos por ano e exporta para mais de 30 países.

Importação, montagem e disputa com Anfavea

A montagem inicial dos veículos no Brasil tem sido feita a partir de kits (SKD) que chegam do exterior e são finalizados na unidade baiana. Baldy afirmou que esse regime de montagem foi o caminho praticado por outras fabricantes ao entrar no país e que o objetivo da BYD é avançar gradualmente para produção mais completa, incluindo soldagem, moldagem e pintura.

A adoção do regime de montagem gerou atritos com montadoras locais e com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Após pressão do setor, o governo antecipou recomposição do imposto de importação, que passou a 35% para todos, segundo a reportagem.

Reação do mercado, preços e comparações de custo

Baldy afirmou que a estratégia de preços da BYD provocou reação entre concorrentes, com redução de valores em alguns modelos elétricos após a chegada do Dolphin Mini. Exemplos citados incluem Renault Kwid E-Tech (de R$ 149.990 para R$ 99.990), JAC E-JS1 (de R$ 164.900 para R$ 154.900), Caoa Chery iCar (de R$ 149.990 para R$ 139.990) e Peugeot e-2008 (de R$ 259.990 para R$ 159.990).

O executivo também afirmou que o Dolphin Mini tem custo de uso inferior ao de motocicletas populares, citando que a manutenção em 20.000 km custa cerca de R$ 380. O modelo é vendido a R$ 119.990, enquanto uma Honda Biz zero tem preço em torno de R$ 13.240, segundo a comparação apresentada.

Salão do Automóvel, infraestrutura de recarga e investimentos

Baldy criticou a ausência de grandes montadoras no retorno do Salão do Automóvel de São Paulo em 2025, classificando a postura dos ausentes como desleal ao se queixarem de regras fiscais e depois não participarem do evento. Entre as ausências citadas na cobertura estavam Ford, Chevrolet, Volkswagen, Nissan, Audi, Porsche, Mercedes-Benz e BMW.

Sobre infraestrutura de recarga, a reportagem cita dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) até fevereiro de 2026: 21.061 eletropostos no país, sendo 14.582 de recarga lenta e 6.479 pontos de recarga rápida. Baldy afirmou que a BYD está trazendo carregadores ultrarrápidos ao Brasil e que as concessionárias Denza receberão esses equipamentos em 2026, com modelos da submarca compatíveis com a tecnologia.

O executivo, que veio da política para o comando da área da BYD no Brasil, também fez críticas públicas a concorrentes e a entidades do setor ao longo da entrevista.

Reportagem original no G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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