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segunda-feira, setembro 14, 2026

Calor recorde dos oceanos ameaça oferta de peixes, turismo e infraestrutura energética

O que aconteceu

Os oceanos registraram, em agosto, temperatura média de 21,07 ºC — valor que iguala o recorde registrado em março de 2024 — e já começam a gerar efeitos econômicos em setores ligados ao mar. Cientistas alertam que o aquecimento prolongado altera a circulação e a distribuição de espécies, prejudica ecossistemas costeiros e pressiona infraestruturas que dependem da água do mar.

Quem alerta e por quê

Especialistas do World Resources Institute (WRI), universidades e centros de pesquisa internacionais chamam atenção para os impactos sociais e econômicos do fenômeno. Para Tom Pickerell, diretor do programa de oceanos do WRI, o aumento da temperatura dos mares afeta não só o meio ambiente, mas também cadeias produtivas, o setor turístico e as contas públicas, e por isso deveria constar na agenda de ministros das Finanças.

Impacto na pesca e nos preços dos alimentos

A principal consequência econômica imediata vem da pesca. Ondas de calor marítimas podem provocar mortalidade, aumentar incidência de doenças em espécies marinhas ou levar os peixes a migrarem para águas mais frias, reduzindo a oferta em áreas tradicionais de captura. Kathryn Smith, da Associação Britânica de Biologia Marinha, afirma que o fechamento temporário de áreas de pesca e a menor disponibilidade de pescado podem custar milhões a comunidades e pressionar preços ao consumidor.

Um caso citado pelos pesquisadores é o Marrocos, onde o aquecimento das águas contribuiu para a redução das populações de sardinha, motivando proibição de exportações e gerando escassez no mercado europeu.

Turismo e ecossistemas costeiros

Recifes de coral são particularmente sensíveis ao aumento térmico. O branqueamento e a degradação desses ecossistemas afetam a atratividade de destinos de praia, mergulho e observação marinha, com consequências diretas para hotéis, restaurantes, operadoras de turismo e trabalhadores locais.

Riscos para energia e infraestrutura

O aquecimento oceânico também representa risco para a operação de usinas que utilizam água do mar. Pesquisadores lembram de episódios recentes, como paralisações de reatores na França decorrentes do aumento de águas-vivas, que interferiram em sistemas de captação. Além disso, a expansão térmica da água contribui para a elevação do nível do mar, exigindo investimentos em proteção e adaptação de áreas costeiras e ilhas.

Dados e projeções

Os números do observatório europeu Copernicus mostram que o verão de 2026 no hemisfério norte, entre junho e agosto, foi o mais quente desde 1993, segundo o Copernicus Marine Service. O fenômeno El Niño exerceu influência sobre o período, que também integra a tendência de aquecimento atribuída à atividade humana. O climatologista Zachary Labe, do centro de pesquisa Climate Central, cita uma sequência recente de “100 dias de calor recorde” na superfície dos oceanos, com base em dados preliminares compilados pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), e projeta que temperaturas recordes devem continuar pelo menos até 2027.

O que se pode fazer

Pesquisadores apontam que as soluções imediatas são limitadas e que é preciso acelerar políticas de mitigação das mudanças climáticas, além de reforçar a adaptação de empresas, governos e comunidades costeiras para reduzir vulnerabilidades simultâneas na produção, infraestrutura e renda. A complexidade da adaptação marinha torna o desafio ainda mais difícil do que medidas aplicáveis em terra, segundo Claire Bergin, da Universidade de Maynooth.

O aquecimento dos oceanos será tema nas discussões da COP31, marcada para novembro em Antália, na Turquia.

G1

Com informações da agência AFP

Evaldo Ribeiro
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Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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