A valorização do dólar frente ao real tem ampliado a competitividade do arroz brasileiro no comércio internacional, segundo análise de mercado, enquanto o mercado interno segue com liquidez reduzida e preços sob pressão.
De acordo com a Safras & Mercado, o cenário doméstico é marcado por compradores que operam essencialmente para reposição imediata de estoques, ao passo que os vendedores mantêm comportamento prudente diante da volatilidade do setor. Esse ambiente tem resultado em negociações pontuais e baixo volume de negócios.
Liquidez limitada e recuperação de preços
O consultor Evandro Oliveira afirma que a fluidez nas transações de arroz permanece baixa, com agentes pouco dispostos a negociar volumes maiores. Ao mesmo tempo, a diminuição da necessidade de liquidação imediata pelos produtores tem atenuado a pressão vendedora.
Há também indícios de um leve aumento na demanda por parte da indústria, o que aponta para um movimento comercial um pouco mais ativo em relação aos meses anteriores. Esse comportamento pode trazer algum alívio para os produtores que enfrentam dificuldades no mercado interno, mas ainda não configura recuperação consistente dos preços domésticos.
Câmbio e comércio exterior
A recente alta do dólar, que chegou a flertar com a faixa de R$ 5,20, favoreceu a paridade de exportação do arroz brasileiro, estimulando maior interesse de compradores estrangeiros e contribuindo para amenizar a pressão sobre os preços internos. Esse ajuste cambial é apontado como fator positivo para o setor arrozeiro.
No plano internacional, o relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) registrou redução nas estimativas de área plantada e na projeção de produção de arroz. Apesar dessas revisões, o consumo global permanece em patamares elevados, sustentando o equilíbrio entre oferta e demanda no médio prazo.
Preços no Rio Grande do Sul
No mercado brasileiro, a média da saca de arroz no Rio Grande do Sul encerrou a quinta-feira cotada a R$ 58,63, representando queda de 0,27% em relação à semana anterior. No acumulado do ano, a desvalorização chega a 10,55%, refletindo a persistente pressão sobre as cotações internas.
Embora a melhora na paridade de exportação e os ajustes observados na oferta global tragam sinais favoráveis, agentes do setor aguardam que as condições internacionais e o câmbio promovam um equilíbrio mais robusto nas próximas semanas.
Fonte: Uberlandianofoco


