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quarta-feira, maio 20, 2026

Camisa da seleção brasileira é a mais cara proporcionalmente à renda entre países campeões, mostra comparação

Venda nas lojas oficiais por R$ 749,99, a camisa da seleção brasileira para a Copa do Mundo de 2026 é a peça que mais compromete a renda dos torcedores entre os oito países que já conquistaram o torneio, segundo levantamento da BBC News Brasil.

A comparação cruzou os preços dos uniformes oficiais comercializados pelas marcas e a renda média per capita registrada pelo Banco Mundial para Alemanha, Inglaterra, França, Itália, Espanha, Argentina, Uruguai e Brasil. No país, o valor da camisa equivale a cerca de 17,5% da renda média mensal per capita estipulada pelo Banco Mundial, calculada em US$ 859 — o que, na cotação informada pela reportagem, corresponde a R$ 4.289.

O levantamento adotou o indicador do Banco Mundial, que usa o Produto Interno Bruto (PIB) convertido em dólares e dividido pelo número de habitantes, para garantir uma base única de comparação entre os países. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), registra uma renda média mensal de R$ 3.367 no Brasil; nesse cenário, a compra da camisa representaria 22,2% da renda. Se considerada a relação com o salário mínimo, o preço da peça equivaleria a 46,3% do piso nacional, ressalta a reportagem, apontando limitações desse parâmetro para comparações internacionais.

Entre as nações campeãs, os percentuais do preço da camisa em relação à renda média mensal são os seguintes: Alemanha, 3,7%; Inglaterra, 4%; França, 4,8%; Itália, 5,2%; Espanha, 5,9%; Argentina, 9,2%; Uruguai, 9,9%; Brasil, 17,5%. Apesar de o preço absoluto da camisa brasileira, convertido em dólares na cotação de 19 de maio, aparecer como o segundo mais barato da lista (US$ 149,1), à frente apenas da Argentina (US$ 107,5), o peso sobre a renda média coloca o Brasil no topo do ranking.

A comparação considerou as chamadas camisas de jogador, comercializadas pela Nike e pela Adidas. A Nike, que fornece o uniforme brasileiro, afirma que o modelo usa tecnologia para facilitar a circulação de ar e reduzir o peso do material, e que seria o mesmo usado pelos atletas em campo. A reportagem observou que há versões mais baratas no Brasil, como uma camiseta branca com o logo da CBF vendida por R$ 149,90, mas optou pelo modelo de jogador porque nem todos os países oferecem alternativas equivalentes. A BBC News Brasil registrou que, até a publicação, a Nike não havia respondido quais fatores influenciam a precificação da camisa.

O texto também relembra a evolução de preços no Brasil: em 1998 a camisa custava R$ 84, valor equivalente a 64,6% do salário mínimo da época (R$ 130), e foi o ano em que a Nike passou a produzir os uniformes da seleção. Corrigido pelo IPCA, R$ 84 em 1998 equivaleria hoje a R$ 438 — R$ 312 a menos que os atuais R$ 749,99. Entre a Copa de 2014 e a de 2018 houve alta de 36,7%; entre 2018 e 2022 o aumento foi de 55,6%, quando o preço subiu de R$ 449,90 para R$ 699,99. Para a edição de 2026, o reajuste foi de 7,1%, para R$ 749,99, valor que, segundo o levantamento, permanece acima do que a inflação acumulada no período indicaria (R$ 735).

As conversões de moedas e os preços absolutos foram calculados com base nas cotações de 19 de maio e em informações das lojas oficiais das marcas.

G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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