Primeiro Censo a investigar o diagnóstico de transtorno do espectro autista (TEA) revelou que 2,4 milhões de brasileiros estão no espectro. O levantamento, inédito por investigar especificamente o diagnóstico de TEA em âmbito nacional, traz números que reforçam a dimensão do tema no país e motivam alertas de profissionais da área.
Especialistas consultados destacam que, diante da prevalência identificada pelo Censo, é fundamental que pais e cuidadores observem sinais que vão além do desenvolvimento da fala. Segundo esses profissionais, a fala é apenas um dos aspectos do quadro, e outros indicadores comportamentais, de interação e de resposta sensorial também merecem atenção para identificação precoce e encaminhamento.
O alerta dos especialistas enfatiza a necessidade de olhar para fatores como padrões de interação social, modos de brincar, manutenção de rotinas e reações a estímulos sensoriais como elementos relevantes na avaliação do desenvolvimento infantil. A orientação profissional, segundo esses especialistas, considera um conjunto de sinais, não se restringindo exclusivamente ao marco das primeiras palavras.
O resultado do Censo traz implicações para serviços de saúde, educação e políticas públicas voltadas ao diagnóstico, acompanhamento e oferta de recursos para pessoas no espectro. Profissionais que atuam com desenvolvimento infantil e saúde mental usam os dados para reforçar programas de detecção precoce e ampliação de suporte às famílias.
Além de apontar a quantidade estimada de pessoas no espectro, o levantamento ressalta a importância de informação e formação de cuidadores e profissionais que lidam com crianças. A recomendação dos especialistas é que observações sobre comportamento, interação social, brincadeiras e respostas a ruídos, texturas e outros estímulos sejam consideradas na avaliação do desenvolvimento, complementando a observação da aquisição da fala.
O debate em torno dos dados do Censo deve orientar ações de sensibilização e capacitação nas redes de saúde e educação, com foco em detecção e encaminhamento. Para pais e responsáveis, a orientação profissional é prioritária quando há dúvidas sobre o desenvolvimento de uma criança.
Fonte: Alouberlandia


