Arthur Mensch, CEO da startup francesa Mistral, declarou em audiência na Assembleia Nacional da França que a Europa dispõe de apenas dois anos para impedir uma dependência estrutural de empresas de inteligência artificial sediadas nos Estados Unidos. O executivo de 33 anos chamou a atenção para a necessidade imediata de investimentos em infraestrutura para manter o controle sobre tecnologias essenciais.
Mensch afirmou que, sem um esforço rápido e substancial, o continente pode se transformar em um “estado vassalo” diante da predominância de fornecedores americanos. Segundo ele, a importação contínua de serviços digitais sem a criação de capacidades próprias aumenta o risco de a Europa perder acesso a recursos críticos, como chips e fornecimento energético.
O impacto da infraestrutura na IA
O CEO da Mistral vinculou a disputa pela liderança em IA ao domínio sobre recursos físicos, especialmente energia e centros de dados. Mensch disse que empresas americanas já estariam garantindo posições estratégicas nesses recursos, situação que, se não for compensada por investimentos europeus, pode deixar o bloco em desvantagem duradoura.
Como resposta parcial a essa ameaça, a Mistral fechou recentemente uma parceria com o Groupe Caisse des Dépôts — instituição pública francesa de investimentos — com o objetivo de reforçar a infraestrutura para IA generativa no continente. A aliança busca ampliar a capacidade computacional local e diminuir a dependência de tecnologias externas.
Fundada em 2023 por ex-pesquisadores da Meta e da DeepMind, a Mistral já alcançou avaliação próxima a US$ 13,6 bilhões. A empresa anunciou planos para construir uma capacidade computacional equivalente a um gigawatt até 2029, meta que, na avaliação de Mensch, ainda fica aquém das necessidades europeias.
Durante a audiência, o executivo também apontou obstáculos regulatórios e a fragmentação dos mercados de capital na Europa como barreiras ao crescimento de startups, especialmente em comparação com o ambiente dos Estados Unidos. Segundo ele, essas condições dificultam a escalada de empresas locais e podem reduzir a influência da Europa sobre decisões de grandes players americanos no setor.
Com a crescente presença da IA em atividades cotidianas, Mensch reforçou que uma infraestrutura robusta e independente é condição básica para que a Europa mantenha capacidade de inovação e competição no mercado global.
Fonte: Uberlandianofoco


