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quinta-feira, setembro 24, 2026

China define estratégia para reduzir dependência do agronegócio brasileiro; Brasil alerta para impactos

TRANSMISSÃO: Record

A China estabeleceu metas para diminuir a dependência de importações agrícolas que hoje beneficiam fortemente o Brasil, em um movimento que acendeu sinais de alerta entre autoridades e representantes do setor agropecuário brasileiro. O país asiático elevou a segurança alimentar a prioridade estratégica no 15º Plano Quinquenal (2026-2030) e indicou investimentos em produção doméstica, biotecnologia e novas formas de proteína.

O comércio entre Brasil e China segue em alta no curto prazo: em 2025 o Brasil faturou US$ 100 bilhões com o mercado chinês e, entre janeiro e junho de 2026, as vendas brasileiras para a China somaram US$ 58,322 bilhões, avanço de 21,9% ante o mesmo período do ano anterior, segundo dados consolidados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Ao mesmo tempo, as exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 13% no mesmo intervalo, uma perda de US$ 2,6 bilhões, após tarifas aplicadas pelo governo de Donald Trump.

As medidas comerciais dos EUA também ganharam nova tensão: após tarifas de 50% sobre parte dos produtos brasileiros em 2025, entrou em vigor na quarta-feira (22/7) uma tarifa adicional de 25%, ampliando a necessidade de o Brasil diversificar mercados.

Analistas internacionais e estudos citados na cobertura apontam que a China, apesar de continuar importando grandes volumes por muitos anos, busca reduzir vulnerabilidades ligadas à exposição externa. O relatório China’s Food Future, da consultoria Systemiq, projeta que as importações chinesas de soja podem cair cerca de 25% até 2030 — o que equivale a cerca de 23,5 milhões de toneladas. Hoje, cerca de 84% do consumo doméstico de soja da China depende de importações, e mais da metade desse volume vem do Brasil, que responde por cerca de 71% das compras chinesas do grão.

Especialistas ouvidos na reportagem destacam que esses esforços são parte de uma mudança estrutural motivada por preocupações com segurança nacional e pela limitação de terras e água na China. Segundo o estudo mencionado, o país mantém hoje um déficit comercial agrícola de US$ 124,5 bilhões e importa cerca de 32% da carne bovina que consome, com o Brasil respondendo por 54% dessas compras.

No Brasil, lideranças do setor e autoridades recomendam vigilância e adaptação. A senadora Tereza Cristina (PP), ex-ministra da Agricultura, afirmou que o país deve ficar com o “sinal amarelo ligado” e avaliar estratégias como redução de área plantada de soja, diversificação de produtos e agregação de valor à produção. O presidente da Apex-Brasil, Laudemir Müller, afirmou que, mesmo diante de mudanças, a instabilidade internacional pode reforçar o papel do Brasil como fornecedor estável e parceiro confiável.

Pesquisadores e analistas observam que, embora um colapso nas relações comerciais seja improvável, a China pode comprar menos soja no futuro à medida que acelera políticas para ampliar produção interna e desenvolver alternativas tecnológicas. O desafio para o Brasil, segundo essas vozes, é ajustar decisões de investimento de longo prazo ao novo cenário e fortalecer inteligência estratégica e presença comercial em mercados-alvo.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
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Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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