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domingo, setembro 27, 2026

China e EUA lideram iniciativas concorrentes para moldar cadeia global da inteligência artificial

China e Estados Unidos lançaram iniciativas distintas para influenciar a cadeia produtiva e a governança da inteligência artificial (IA), em uma disputa que envolve semicondutores, minerais críticos, energia e modelos tecnológicos e que pode determinar o caminho da tecnologia considerada estratégica para o desenvolvimento econômico e social.

Pax Silica: iniciativa dos EUA

Em dezembro de 2025, o governo do então presidente Donald Trump anunciou a Pax Silica, proposta que reuniu inicialmente Japão, Israel, Reino Unido, Emirados Árabes Unidos, Singapura, Países Baixos e Austrália. Desde então, a aliança cresceu e hoje agrupa 23 países e a União Europeia. Em junho deste ano, aderiram Argentina, El Salvador, Chile, Costa Rica e Panamá. Índia, Catar e Filipinas também integram o grupo.

A Pax Silica tem entre suas metas coordenar, entre parceiros alinhados aos EUA, “uma ordem econômica duradoura que sustente uma era de prosperidade impulsionada pela IA em todos os países parceiros”. O escopo compreende ações para assegurar o acesso seguro a insumos e matérias-primas tecnológicas, mitigar vulnerabilidades nas cadeias produtivas e promover investimentos conjuntos.

Ettore Arpini, especialista em governança de IA e fundador da organização Plures, afirmou que a iniciativa tende a favorecer um conjunto restrito de aliados e deixar outros países à margem. Arpini também alertou para riscos de dependência tecnológica: se um setor econômico de um país se apoiasse fortemente em um modelo estrangeiro e o acesso a esse serviço fosse bloqueado por decisão externa, a atividade econômica poderia ser gravemente afetada.

Waico: proposta chinesa

Em julho deste ano, a China criou a Organização Mundial de Cooperação em IA (Waico), com sede em Xangai. A declaração fundacional da entidade, aberta a todos os países, foi assinada por 29 nações, entre elas o Brasil. Entre os signatários estão Rússia, Indonésia, Cazaquistão, África do Sul, Quênia, Etiópia, Moçambique, Venezuela, Cuba, Omã e Paquistão.

A Waico advoga o desenvolvimento de modelos de IA em código aberto, que permitem a terceiros examinar, modificar e operar os sistemas sem contratos pagos com empresas proprietárias. O modelo de código aberto possibilita que organizações operem software em servidores próprios, ao passo que IA de código fechado depende da autorização e, frequentemente, de pagamento ao detentor da tecnologia, com possibilidade de alteração de preço ou interrupção de acesso.

Sérgio Amadeu da Silveira, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC) e especialista em tecnologia e sociedade, avaliou que a iniciativa chinesa pode favorecer países que ainda não dispõem de capacidades de ponta, mas ressaltou a necessidade de infraestrutura local para apropriação do conhecimento disponibilizado.

Na cerimônia de lançamento da Waico, o presidente chinês Xi Jinping defendeu que a segurança nacional não deve ser buscada em detrimento da segurança de outras nações e enfatizou a importância da cooperação internacional no desenvolvimento da IA.

Especialistas ouvidos destacaram que, além de objetivos geopolíticos, a proposta chinesa tem interesses comerciais: ao oferecer modelos abertos, a China poderia ampliar demanda por sua infraestrutura, chips e serviços associados, caso países optem por rodar esses modelos localmente em equipamentos fornecidos por Pequim. Arpini citou como exemplo a diferença entre pagar assinatura para operar o Chat GPT e executar um modelo aberto hospedado em infraestrutura nacional ou fornecida por parceiros.

Fonte: Uberlandianofoco

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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