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terça-feira, agosto 25, 2026

China reduz compras externas de alimentos e aposta em maior produção agrícola interna

Pequim compra menos alimentos e foca em autossuficiência

Em meados de agosto, a China adquiriu pouco mais de meio milhão de toneladas de soja dos Estados Unidos para o próximo ano comercial. Apesar dessa aquisição, o volume representa apenas uma fração do comércio sino-americano: em outubro do ano passado, Pequim concordou em comprar cerca de 25 milhões de toneladas de soja anualmente dos EUA, acordo válido até o fim de 2028.

O país busca reduzir a dependência de produtos importados ao reforçar a produção doméstica, conforme previsto no 15º Plano Quinquenal (2026-2030). O plano prioriza elevar a produtividade agrícola e melhorar a qualidade das terras cultiváveis, com a meta de aumentar a parcela de áreas agrícolas de alta qualidade dos atuais ~70% para 75%.

Entre as ações previstas estão o desenvolvimento de sementes mais resistentes, maior mecanização, expansão da agricultura inteligente, e uso mais eficiente da água. Pequim também pretende investir em biotecnologia, digitalização, inteligência artificial, sistemas de navegação para maquinário, sensores para alertas precoces e irrigação aprimorada, além de ampliar o uso de fertilizantes orgânicos. Mesmo com essas medidas, especialistas apontam que a China deverá manter alguma dependência de importações.

Limitações de recursos naturais tornam difícil a substituição completa de compras externas. Com cerca de 18% da população mundial, a China dispõe de aproximadamente 7% das terras aráveis do planeta, segundo Christina Otte, economista da agência alemã Germany Trade & Invest (GTAI). Além disso, riscos climáticos têm aumentado: estudo na revista Nature indica que eventos combinados de calor e seca cresceram no país, afetando colheitas de milho e arroz.

A soja é um exemplo de fragilidade na autossuficiência. Cerca de 84% do consumo doméstico de soja depende de importações, e mais da metade desse volume vem do Brasil. A leguminosa é essencial não só para alimentação humana, mas sobretudo como ração para grandes rebanhos de suínos, aves e peixes.

Na visão de analistas, a segurança alimentar ganhou caráter estratégico após choques como a guerra na Ucrânia, que evidenciou a vulnerabilidade das cadeias de suprimentos. Think tanks como o CSIS apontam que o conflito russo-ucraniano levou à reavaliação do comércio global de grãos.

Além de aumentar a produção interna, a China tem buscado diversificar fornecedores, ampliar estoques e investir em infraestrutura logística — portos e ferrovias — para garantir suprimentos. Essa mudança de postura deve provocar efeitos distintos entre seus parceiros comerciais. Análises do Iseas-Yusof Ishak e do Chatham House indicam que países da ASEAN, como Camboja, Laos, Mianmar, Tailândia e Vietnã, podem ver tanto perda de espaço em exportações quanto novas oportunidades, dependendo do produto.

Enquanto Pequim tende a atingir ou ampliar autossuficiência em arroz, aves e carne suína, e a aumentar produção de trigo e milho, continuará importando soja, carne bovina, laticínios e óleos vegetais. Ao mesmo tempo, a China já atua como exportadora de tecnologias agrícolas — sementes melhoradas, sistemas digitais, irrigação e maquinário — o que pode abrir caminho para transferência de tecnologia e novos fluxos comerciais.

Fonte original: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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