Resumo das evidências
Os últimos 11 anos foram os mais quentes já registrados, e esse aquecimento tem se manifestado por meio de ondas de calor e incêndios florestais. Além dos impactos diretos, pesquisadores e institutos internacionais descrevem efeitos econômicos menos visíveis: aumentos de preços, elevação de custos e redução de rendimentos para famílias em diferentes países.
Impactos nos Estados Unidos
Um estudo de 2026 conduzido pela MIT Sloan School of Management e pela UCLA School of Law concluiu que as mudanças climáticas já elevaram os gastos médios das famílias americanas em US$900 por ano (aproximadamente R$ 4,6 mil). Em cerca de 10% dos condados dos EUA, o aumento supera US$1,3 mil anuais. Entre os componentes desses custos estão prêmios de seguro residencial, que ficaram em média US$600 mais caros, e elevações de impostos estaduais e federais para cobrir recuperação de desastres e impactos na saúde causados pela fumaça de incêndios.
Perdas na renda e efeitos em cadeia
Estudos citados mostram ainda que o aquecimento global já reduz a produtividade e a renda. Pesquisadores estimaram uma queda de cerca de 12% na renda dos americanos associada ao aumento das temperaturas globais, quando comparado a um cenário sem mudanças climáticas. A explicação inclui efeitos em cadeia nas cadeias de suprimentos: por exemplo, ondas de calor que atingem plantações de milho elevam o preço da commodity e geram perdas para indústrias dependentes, como pecuária e processamento de alimentos, reduzindo a renda ao longo da cadeia.
Exemplos na Europa e na Alemanha
Na Europa, as ondas de calor de 2026 foram estimadas em cerca de €180 bilhões (aproximadamente R$ 1,06 trilhão), valor equivalente ao crescimento econômico previsto para a União Europeia naquele ano. Na Alemanha, o Instituto Kiel para a Economia Mundial apontou que os níveis historicamente baixos do rio Reno, atribuídos ao clima seco prolongado, podem reduzir a produção econômica alemã em até 0,2% no terceiro trimestre de 2026, porque a capacidade de transporte caiu para cerca de 15% em alguns trechos da importante via que liga Roterdã ao oeste da Alemanha.
Impactos na Austrália
Um relatório do Instituto para Risco e Resposta Climática da Universidade de New South Wales avaliou que o aquecimento global reduziu a produção econômica média do estado de New South Wales (NSW) em cerca de 18%, o que equivaleria a AU$21.288 (aproximadamente R$ 80 mil) por pessoa em 2024, em comparação com um cenário sem aquecimento. O documento registra que secas ocorridas na metade e ao final da década de 2010 provocaram perdas de produtividade que chegaram a AU$10 bilhões em algumas estimativas, devido à queda de safras, redução da renda agrícola, elevação dos custos de água e aumento na dependência de assistência governamental.
Adaptação e redução de emissões
Especialistas ouvidos nos estudos ressaltam que investimentos em adaptação, como reforço de estradas, ferrovias, infraestrutura portuária e ampliação de áreas verdes urbanas, são necessários para limitar consequências econômicas piores no futuro. Fortalecer sistemas de saúde e hospitais também é apontado como medida essencial para lidar com os efeitos das ondas de calor sobre a produtividade e a saúde da população.
Ao mesmo tempo, pesquisadores alertam que a adaptação é dispendiosa e pode ser insuficiente se não for aplicada de forma ampla, já que os impactos climáticos se propagam por meio de cadeias de comércio. Por isso, combinam-se a necessidade de medidas defensivas com a urgência de reduzir rapidamente as emissões que aquecem o planeta, para evitar perdas de renda que tendem a aumentar caso o aquecimento exceda as metas do Acordo de Paris.
Conclusão do levantamento
Os estudos compilados mostram que as mudanças climáticas já exercem um efeito monetário concreto sobre famílias e economias: aumentam custos, pressionam preços e contribuem para queda de rendimentos, além de agravar desigualdades regionais ao acumular impactos sobre agricultura, infraestrutura e saúde.
Fonte: G1


