Resumo: Com um território de pouco mais de 41.000 km², os Países Baixos alcançaram o terceiro lugar no ranking mundial de exportação de alimentos por valor. Pesquisa aplicada, estufas de alta tecnologia, um ecossistema de empresas e universidades e a posição logística próxima a grandes mercados europeus são apontados como fatores-chave.
Quem e onde: pesquisadores e empresas concentrados no campus da Universidade e Centro de Pesquisa de Wageningen (WUR), no chamado “Food Valley”, são o centro das inovações que alavancaram a produção alimentícia neerlandesa. Entre os especialistas ouvidos estão o professor Leo Marcelis, chefe do grupo de Horticultura e Fisiologia Vegetal, a professora Cristina Zepeda e o professor Nilson Vieira Junior, ambos vinculados à Wageningen.
O que: estufas equipadas com sensores, iluminação LED de cores variadas, controles de CO2, temperatura e umidade, além de algoritmos e inteligência artificial, permitem aumentos de produtividade significativos. Em experimentos citados, rendimentos chegam a ser até cinco vezes superiores aos de estufas tradicionais em países da América Latina; um exemplo refere-se a até 100 kg de tomates por metro quadrado por ano em sistemas avançados, ante cerca de 20 kg em estruturas de baixa tecnologia.
Como e por que: fatores naturais, como clima temperado e disponibilidade de água, somados à proximidade de grandes mercados — Alemanha, Bélgica, França e Reino Unido — e ao porto de Roterdã, favorecem exportações. A tradição de cooperação entre produtores, presença de centros de pesquisa e departamentos de P&D de empresas como Unilever e FrieslandCampina no campus criam um ambiente propício à transferência de tecnologia e ao surgimento de startups originadas na universidade.
Inovações e aplicações: além de estufas, são desenvolvidas técnicas como cultivo em substratos que permitem quase total reúso da água de irrigação e maior controle nutricional, uso de drones, sensores para aplicação precisa de fertilizantes e sistemas autônomos geridos por inteligência artificial para monitorar e ajustar clima e manejo.
Desafios: o consumo de energia é o principal obstáculo. A horticultura representa cerca de 10% do uso nacional de gás, e o país planeja migrar para fontes renováveis até 2050. Pesquisas investigam estratégias para reduzir esse gasto, incluindo o uso das próprias plantas como “baterias” para acumular e liberar reservas de energia conforme a disponibilidade elétrica.
Pecuária e IA: projetos como o Global Methane Genetics, liderado por Roel Veerkamp, buscam reduzir emissões de metano por meio de seleção genética, com meta de diminuir 25% das emissões em 25 anos. Ferramentas de inteligência artificial também são usadas para monitorar comportamento e bem-estar de animais por meio de imagens.
Transferência para a América Latina: pesquisadores ressaltam que tecnologias como hidroponia, irrigação por gotejamento, uso de LEDs e sistemas de resfriamento ativo podem ser adaptadas, mas alertam que é necessária customização às condições locais — clima, água e prioridades agrícolas — em vez de aplicar soluções sem ajuste.
Formação: Wageningen oferece cursos, incluindo um sobre estufas de alta tecnologia que começa em 31 de agosto, frequentado por profissionais de diversas partes do mundo.
Fonte: G1


