A confiança do setor industrial brasileiro recuou em julho, atingindo 44,4 pontos no Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), informou a Confederação Nacional da Indústria (CNI). O índice registrou queda de 2,3 pontos em relação a junho e está 8,9 pontos abaixo da média histórica de 53,3 pontos.
De acordo com a CNI, este é o nível mais baixo de confiança desde junho de 2020, quando o ICEI caiu para 41,2 pontos por conta dos efeitos iniciais da pandemia de Covid-19. O levantamento aponta que a redução do indicador reflete uma percepção mais negativa sobre a economia brasileira, aumento das incertezas no cenário internacional e piora nas expectativas para as próprias empresas.
Como o índice é composto
O ICEI é formado por duas avaliações: o componente de momento atual, que mede a percepção dos empresários sobre a situação da economia e da empresa nos últimos seis meses, e o componente de expectativas, que avalia as projeções para os próximos seis meses. As respostas são convertidas em uma pontuação de 0 a 100 — valores acima de 50 indicam confiança e abaixo de 50, falta de confiança. A CNI explica que a avaliação sobre a própria empresa tem peso maior do que a da economia em cada componente e que as expectativas têm peso superior ao da avaliação do momento atual.
Detalhes por componente
Em julho, o Índice de Condições Atuais recuou para 41,6 pontos, queda de 0,7 ponto em relação a junho. O desempenho foi puxado principalmente pela piora na percepção sobre a economia brasileira, cujo indicador caiu de 36 para 34,7 pontos. A avaliação sobre as próprias empresas também recuou, passando de 45,4 para 45,1 pontos.
As expectativas para os próximos seis meses tiveram forte queda, com o indicador de expectativas caindo 3,1 pontos, para 45,8 pontos — a maior queda mensal desde novembro de 2022. A expectativa para a economia nacional caiu de 41 para 37,2 pontos, enquanto o índice de expectativas para as próprias empresas foi de 52,8 para 50,1 pontos, praticamente eliminando o otimismo observado nos meses anteriores.
Segundo Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, a deterioração do sentimento empresarial está possivelmente relacionada ao aumento das incertezas externas, incluindo o acirramento da guerra no Oriente Médio e a possibilidade de retomada de tarifas americanas sobre produtos brasileiros.
Fonte: G1


