Estudo indica mudança nas decisões de compra e impacto nas estratégias empresariais
Um levantamento internacional da WGSN sobre comportamento do consumidor para 2027 mostra que fatores emocionais e credibilidade passaram a ter mais peso nas escolhas de compra do que atributos tradicionais, como preço ou especificações técnicas. Segundo o estudo, sete em cada dez consumidores desejam pertencer a algo maior, tendência que já está repercutindo na forma como empresas brasileiras se posicionam no mercado.
Matheus Mundim, especialista em inteligência artificial aplicada a negócios e diretor da V4 Mundim & Co., afirma que os achados confirmam transformações observadas no dia a dia do mercado. Para ele, a decisão de compra continua movida pela emoção, mas o consumidor atual está mais exausto e desconfiado, exigindo relações mais autênticas com marcas.
Entre os pontos destacados pelo pesquisador está o aumento do desejo por pertencimento, que, na avaliação de Mundim, marca o fim da era em que o preço era o principal argumento para convencer clientes. Empresas que mantêm a competição apenas por preço tendem a perder espaço para aquelas que conseguem criar comunidades, promover identificação e transmitir autenticidade.
A confiança ganhou novo significado num ambiente digital em que avaliações falsas, perfis artificiais e conteúdos gerados por inteligência artificial se proliferam. Mundim ressalta que a simplicidade passou a ser um diferencial raro e valioso: consumidores optam por marcas que conseguem demonstrar de forma clara e comprovável que cumprem o que prometem.
O especialista defende o uso da inteligência artificial como ferramenta para reforçar a presença humana, não para substituí-la. Segundo ele, a tecnologia deve ser empregada para eliminar esperas, reduzir burocracia e automatizar tarefas repetitivas, deixando às pessoas os momentos em que empatia e relacionamento fazem diferença.
Na prática, hotéis em Gramado (RS) já sentem essa mudança. O empresário Ederson Leite, gestor de cinco empreendimentos — Hotel Glamour da Serra, Blumen Hotel Boutique, Casa da Vó Ivone, Hotel Triveneto e Hotel Cabanas Glamour —, com faturamento anual de R$ 20 milhões, relata que hóspedes valorizam tempo, bem-estar e acolhimento, tornando a experiência tão relevante quanto a acomodação.
Leite afirma que a hospitalidade começa antes do check-in e se estende após o check-out, e que detalhes como atendimento caloroso, cuidado na preparação dos quartos e um café da manhã pensado para surpreender influenciam na fidelização e na recomendação dos clientes. Embora reconheça ganhos de receita e eficiência com novas tecnologias, ele destaca que o fator humano continua sendo o maior diferencial competitivo do setor. Entre os indicadores acompanhados pelo grupo estão o NPS e a qualidade das avaliações online, reflexo direto da experiência entregue.
Para Mundim, entender esse comportamento deixou de ser apenas uma tendência e virou necessidade estratégica: o consumidor seguirá comprando por emoção, mas agora exige evidências antes de confiar. Marcas que facilitarem a vida do cliente, transmitirem segurança e construírem relações genuínas estarão em posição mais favorável para crescer nos próximos anos.
Acesse na íntegra:
WGSN – O poder das emoções
https://www.wgsn.com/pt/blogs/o-poder-das-emocoes


