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sexta-feira, junho 26, 2026

Crise climática atinge milhões de crianças e adia perspectivas de futuro no Brasil

Crianças e adolescentes enfrentam múltiplos riscos ambientais

Imagens de enchentes, secas, queimadas e outros desastres ambientais têm se repetido nos telejornais brasileiros, refletindo perdas de moradia, renda e segurança para muitas famílias. Entre os mais afetados, estão milhões de crianças e adolescentes que vivenciam os efeitos da crise climática em momentos cruciais de desenvolvimento.

Levantamento recente do UNICEF aponta que aproximadamente 16 milhões de crianças e adolescentes no Brasil estão simultaneamente expostos a três ou mais ameaças climáticas e ambientais, como ondas de calor, secas, enchentes e falta de água. Isso equivale a cerca de três em cada dez crianças e jovens do país, que convivem com riscos capazes de prejudicar saúde, educação, proteção e bem-estar.

Organizações que trabalham diretamente com populações afetadas relatam os impactos além dos prejuízos materiais. O ChildFund Brasil, por exemplo, participou de ações emergenciais no Rio Grande do Sul e no Paraná em resposta a eventos climáticos extremos. Nessas intervenções, foi registrado efeito significativo na saúde mental de crianças e adolescentes, que enfrentam medo, insegurança e interrupção de rotinas.

A situação é ainda mais grave em áreas historicamente vulneráveis, como o Semiárido. Em localidades onde a seca é recorrente, famílias enfrentam dificuldades constantes para garantir água para consumo e produção de alimentos. Especialistas e organizações alertam que a crise climática amplia desigualdades, afetando com mais intensidade quem tem menos recursos para adaptar-se.

Há iniciativas locais que buscam respostas práticas. No Maranhão, uma parceria entre o ChildFund e o programa ADM Cares introduziu ações nas escolas públicas voltadas à educação climática, implantação de hortas comunitárias e medidas para segurança alimentar. Segundo relatórios dessas ações, houve aumento da conscientização ambiental e maior protagonismo de crianças, adolescentes e suas famílias na busca por soluções locais.

O papel da escola é destacado como central nesse processo, sobretudo depois da aprovação da Lei nº 14.926/2024, que amplia o tratamento de temas sobre clima, biodiversidade e riscos ambientais na educação formal.

Especialistas recomendam incluir crianças e adolescentes nas estratégias de redução de riscos e garantir que suas vozes participem das decisões que afetarão seu futuro. A discussão, conforme defendem organizações do setor, envolve governos, empresas, entidades sociais e cidadãos, com foco na proteção dos direitos das gerações mais jovens.

Autor: Mauricio Cunha tem 30 anos de experiência em projetos sociais com crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. É administrador de empresas, engenheiro, mestre em antropologia social e doutor em políticas públicas. Já foi secretário nacional dos direitos da criança e do adolescente e atualmente é presidente executivo do ChildFund Brasil, organização presente em mais de 70 países e que atinge cerca de 24 milhões de beneficiários no mundo.

Fonte: Gazetadotriangulo

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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