Apex Partners, plataforma de investimentos com sede no Espírito Santo, informou ter identificado uma dívida de R$ 985,6 milhões após investigação interna que apontou “inconsistências financeiras”. O episódio levou ao afastamento do fundador e presidente, Fernando Cinelli, e do diretor financeiro, Eduardo Siqueira, na última quinta-feira (6).
A situação foi formalizada pela própria empresa em uma ação apresentada à Justiça na sexta-feira (7), na qual a Apex pediu medida judicial para blindar temporariamente seus ativos. A empresa administra mais de R$ 17 bilhões e atende cerca de 8 mil clientes, a maioria no Espírito Santo, com investimentos na economia real — como galpões, prédios residenciais e salas comerciais — e no mercado financeiro.
Restrição a saques e medidas adotadas
Após a crise vir a público, o BTG Pactual, que atuava na distribuição de um fundo vinculado à Apex, suspendeu saques e rompeu o contrato de distribuição. A Justiça concedeu uma blindagem de 60 dias para que sejam examinadas as circunstâncias que geraram o passivo e seus efeitos sobre os negócios e clientes da plataforma.
Os sócios da Apex afirmam não ter conhecimento prévio do montante da dívida. Uma auditoria externa será contratada para apurar as causas, dimensionar os débitos e verificar eventual impacto sobre os investimentos dos clientes. Enquanto a apuração não estiver concluída, a orientação para investidores é aguardar as conclusões do trabalho de auditoria e da decisão judicial.
Possibilidade de prejuízo e investigação interna
Embora exista a possibilidade de perdas para clientes, a empresa e terceiros envolvidos ainda não detalharam se e em que proporção isso ocorrerá. Apenas com os resultados da auditoria será possível avaliar se haverá perdas financeiras para investidores e até que ponto a crise atinge diferentes negócios da Apex.
Os sócios divulgaram acusações de que Cinelli e Siqueira teriam adotado “gestão temerária” e agido com “má-fé”, e manifestaram intenção de responsabilizar o fundador por supostas irregularidades. Essas alegações estão em apuração e não configuram conclusão definitiva sobre responsabilidades.
A defesa de Fernando Cinelli divulgou nota afirmando que ele está comprometido em colaborar para preservar a empresa, os investidores e os acionistas, e disse que o afastamento demonstra disposição para esclarecer os fatos “com total transparência e idoneidade”.
Repercussão e posição do poder público
O governo do Espírito Santo, por meio da Secretaria da Fazenda (Sefaz), informou oficialmente que não há recursos do Tesouro Estadual nem do Fundo Soberano (Funses) investidos na Apex Partners. Analistas locais consideram a crise negativa para a confiança no mercado e para investidores, mas avaliam que não deve haver impacto relevante sobre o conjunto da economia do estado — avaliação essa que depende do desfecho da auditoria.
Mais informações e atualizações podem ser acompanhadas na matéria original do G1: Matéria do G1 sobre a crise na Apex Partners.


