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quinta-feira, outubro 29, 2026

Cuba celebra aprovação de resolução da ONU contra bloqueio dos EUA, apesar de queda no apoio

Embaixador cubano celebra apoio à resolução da ONU, mas registra recuo de votos

O embaixador de Cuba no Brasil, Víctor Manuel Cairo Palomo, saudou a aprovação pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas de uma resolução que condena o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos há mais de seis décadas. A votação ocorreu na terça-feira (29) e terminou com 130 votos favoráveis, 17 contrários e 25 abstenções; o Brasil integrou os votos a favor.

Segundo Palomo, o número de países que apoiaram a resolução diminuiu significativamente em relação a anos anteriores — quando a proposta chegou a reunir mais de 190 votos favoráveis — em razão de uma campanha de pressão promovida pelo governo de Donald Trump para persuadir aliados a rejeitarem o texto.

Além dos Estados Unidos e de Israel, que votaram contra em 2024, nesta votação posicionaram-se contra a resolução Argentina, Bósnia, Colômbia, Costa Rica, Equador, Hungria, Lituânia, Marrocos, Macedônia do Norte, Paraguai, Eslovênia, Trinidad e Tobago, Ucrânia, Emirados Árabes Unidos e República Tcheca. O número de abstenções também subiu: havia apenas uma abstenção em 2024; neste ano foram 25, entre elas Chile, Honduras, Guiana, Haiti, Jamaica e Peru.

Na entrevista concedida em Brasília na quinta-feira (29), o embaixador caracterizou o bloqueio como ilegal perante o direito internacional e ressaltou seus efeitos sobre a população cubana. Palomo afirmou que mais de 1,5 mil crianças teriam morrido por falta de medicamentos e de combustível para manter incubadoras destinadas a prematuros ou recém-nascidos de baixo peso.

O diplomata informou ainda que, entre 2025 e 2026, a mortalidade infantil em Cuba teria dobrado, passando de 4,4 para 9,9 mortes por mil nascimentos, atribuindo esse aumento ao endurecimento das medidas norte-americanas.

Palomo afirmou que as sanções não atingem apenas Cuba, citando as chamadas sanções secundárias que penalizam empresas de outros países que negociam com a ilha e encarecem importações. Segundo ele, mais de 7 mil contêineres adquiridos por Cuba estariam retidos em portos de diferentes países por receio de represálias dos Estados Unidos, e cargas destinadas à ilha chegariam à Jamaica sem serem liberadas.

Com o retorno de Donald Trump à presidência em janeiro de 2025, prosseguiu o embaixador, os EUA aprovaram novas medidas incluindo um bloqueio energético e ameaças a nações que vendam petróleo a Cuba, o que teria deixado o país sem combustível por três meses e provocado apagões em Havana que podem ultrapassar dez horas.

Entre os efeitos econômicos citados estão a redução de voos internacionais, a saída de redes hoteleiras estrangeiras e a suspensão do uso de cartões Visa, com impacto direto no setor turístico. O Departamento de Estado dos EUA, liderado por Marco Rubio, aplicou também sanções contra empresas de “tecnologias sensíveis” que mantêm relações com a ilha. A Justiça dos Estados Unidos decretou ainda, neste mês, a prisão do ex-presidente cubano Raúl Castro.

Como resposta ao bloqueio, o governo cubano implementou uma reforma econômica visando contornar as sanções e estimular a produção. Palomo afirmou que é cedo para avaliar plenamente os resultados, mas que estudos internos apontam condições mais favoráveis para ampliar a produção. Segundo ele, o país acelera a transição para energia solar com apoio da China e intensifica esforços na produção de alimentos.

Ao concluir sua exposição em Brasília, o embaixador reiterou que Cuba busca alternativas internas para reduzir a dependência diante das restrições externas.

Fonte: Uberlandianofoco

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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