A Educação de Jovens e Adultos (EJA) surge como instrumento para ampliar oportunidades no Brasil, onde dados do Ministério da Educação apontam que mais de 11 milhões de pessoas ainda não são alfabetizadas. A modalidade busca reverter trajetórias escolares interrompidas e proporcionar meios para retomar estudos, melhorar condições sociais e ampliar possibilidades profissionais.
O que é a EJA e por que é importante
A EJA é destinada a quem não teve acesso à escola na idade regular ou interrompeu os estudos. Além de recuperar conteúdos, a modalidade visa promover inclusão educacional e contribuir para o desenvolvimento humano e a participação social. A Unesco ressalta o papel da educação de adultos na redução de desigualdades e na promoção da cidadania, como parte do conceito de educação ao longo da vida.
Abordagem pedagógica da Fundação Bradesco
A Fundação Bradesco desenvolveu uma proposta pedagógica específica para atender à diversidade do público da EJA, levando em conta contextos territoriais, saberes construídos na vida e no trabalho e as diferentes responsabilidades dos estudantes. Barbara Frasseto, líder de inovação pedagógica da Fundação Bradesco, explica que o currículo considera essas especificidades e oferece flexibilização para conciliar estudos com outras atividades.
“O ponto de partida da nossa proposta é o reconhecimento de que o estudante da EJA é um jovem, um adulto ou um idoso que traz consigo uma história, saberes construídos no trabalho e na vida e realidades muito distintas conforme o território em que vive. Toda a estrutura da nossa oferta nasce desse olhar, com um currículo que considera todas as especificidades do nosso público e oferece flexibilização, uma vez que o estudante pode ter outras responsabilidades que o afastem da escola”, afirma Barbara Frasseto.
Desafios de conciliar rotinas
Grande parte dos estudantes da EJA precisa equilibrar trabalho, cuidados familiares e tarefas domésticas, um desafio especialmente presente entre mulheres. Para garantir a continuidade dos estudos, a oferta inclui horários flexíveis, metodologias adequadas ao perfil adulto e ambientes acolhedores, medidas que ajudam a reduzir a evasão escolar.
Segundo a Fundação Bradesco, a estratégia é evitar que a escola se torne mais um peso na rotina dos alunos, por meio de flexibilização de horários e de frequência, práticas pedagógicas sensíveis ao contexto adulto e equipes capacitadas e empáticas. A instituição aponta que o baixo índice de evasão indica sentimento de pertencimento dos estudantes.
Impactos na vida profissional e social
Para muitos, a retomada dos estudos abre portas para o primeiro emprego formal, mudanças de ocupação ou progressão na carreira. Além disso, o acesso à educação fortalece a autonomia, favorece decisões mais informadas no cotidiano e estimula a participação social. A experiência de voltar à escola pode também permitir que os estudantes acompanhem a escolaridade dos filhos e compreendam melhor direitos civis.
“Um dos efeitos mais profundos da EJA é perceber nos alunos o desenvolvimento da autonomia em sua trajetória formativa e se tornarem protagonistas da própria aprendizagem, capazes de buscar novos conhecimentos, construir novos projetos de vida e fortalecer seus sonhos. São transformações que ultrapassam o âmbito profissional e alcançam a autoestima, a participação social e a maneira como cada pessoa passa a enxergar o próprio potencial”, destaca Barbara Frasseto.
Aprendizagem ao longo da vida
A retomada dos estudos reafirma que aprender é possível em qualquer idade e que a escola deve reconhecer os saberes acumulados pelos estudantes ao longo da vida. Na Fundação Bradesco, a prática pedagógica valoriza experiências anteriores e busca promover aprendizagens contextualizadas, autonomia e ampliação da visão cultural, gerando uma ressignificação da relação entre o aluno e a escola.
A Fundação Bradesco mantém iniciativas voltadas à educação ao longo da vida, com ações que visam aumentar o acesso ao conhecimento, fortalecer o protagonismo estudantil e apoiar a construção de trajetórias pessoais, sociais e profissionais.
Fonte: G1 – O poder do recomeço: EJA transforma trajetórias pessoais e profissionais


