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quinta-feira, setembro 24, 2026

Empresas brasileiras buscam alternativas para reduzir impacto das tarifas de 25% dos EUA

As tarifas adicionais de 25% anunciadas pelos Estados Unidos sobre uma lista de produtos brasileiros têm levado empresas do país a procurar mercados alternativos, embora essa diversificação demande tempo e investimentos e não evite efeitos imediatos sobre exportações, empregos e receitas.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) estimou que cerca de 18% das exportações brasileiras para os EUA serão afetadas pelo chamado “tarifaço”, o equivalente a US$ 7,4 bilhões (R$ 37,7 bilhões). A medida, confirmada pelo governo americano após investigação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), entra em vigor nesta quarta-feira (22) e inclui uma lista de exceções.

Representantes de setores consultados pelo g1 afirmam que, embora haja esforços para redirecionar vendas a outros mercados, a troca de destinos exigirá tempo para consolidar relações comerciais e superar a concorrência global, agravada por medidas similares adotadas pelos EUA contra outros países.

No setor calçadista, Haroldo Ferreira, presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), disse que muitas empresas conseguiram, no ano passado, negociar com importadores a divisão do custo das tarifas, mas que essa alternativa tem se tornado mais difícil com as novas rodadas de medidas tarifárias.

O segmento moveleiro também relata impacto significativo. Cândida Cervieri, diretora-executiva da Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel), afirmou que cerca de 30% das exportações do setor têm os EUA como destino e que polos industriais em São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais sofreram forte onda de demissões — cerca de 10 mil desligamentos desde o ano passado, na estimativa da entidade.

Além de buscar novos mercados, empresários defendem diálogo diplomático com os EUA para tentar reduzir ou retirar a alíquota. A adoção da Lei da Reciprocidade Econômica foi citada como uma ferramenta possível para respostas a barreiras comerciais externas, segundo representantes industriais.

Executivos também apontam que o mercado interno poderia absorver parte das perdas, mas que a presença de importações crescentes — tanto via contêineres quanto por plataformas de comércio eletrônico e pequenas encomendas — reduz esse espaço. Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), destacou a necessidade de enfrentar o “custo Brasil” para tornar as empresas nacionais mais competitivas.

Em entrevista à CNBC, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que o governo americano deve anunciar novas tarifas para aproximadamente 60 países nos próximos dias, com alíquotas adicionais entre 10% e 12,5% para países acusados de falhas no controle de importação de produtos feitos com trabalho forçado.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
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Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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