20.6 C
Uberlândia
sábado, maio 9, 2026

Empresas que registram bilhões em ganhos com a guerra no Irã

Resumo: A guerra envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã vem gerando perdas para muitas famílias e empresas, mas também elevando lucros de companhias que se beneficiam da alta volatilidade nos preços de energia, do aumento do trading financeiro, de compras militares e da busca por fontes renováveis.

Quem lucra com o conflito

O fechamento do estreito de Ormuz no fim de fevereiro, por onde passam cerca de 20% do petróleo e do gás mundial, provocou forte oscilação nos preços da energia e impulsionou os ganhos de algumas empresas. Entre as maiores beneficiárias estão grandes petroleiras, bancos, empresas de defesa e companhias do setor de energias renováveis.

No segmento de petróleo e gás, as divisões de trading das grandes petrolíferas europeias se destacaram. A BP viu seus lucros mais que dobrarem no primeiro trimestre de 2026, alcançando US$ 3,2 bilhões (cerca de R$ 15,7 bilhões), atribuindo o resultado ao desempenho “excepcional” de sua área de trading. A Shell reportou lucro de US$ 6,92 bilhões (aproximadamente R$ 33,9 bilhões) no primeiro trimestre, acima das expectativas dos analistas. A TotalEnergies teve lucro de US$ 5,4 bilhões (cerca de R$ 26,4 bilhões) no mesmo período, com avanço motivado pela volatilidade dos mercados de petróleo e energia. As americanas ExxonMobil e Chevron registraram queda nos ganhos em relação ao ano anterior devido à interrupção do fornecimento do Oriente Médio, mas superaram previsões e projetam recuperação ao longo do ano.

No setor bancário, o aumento do volume de operações impulsionou resultados recordes. A receita de trading do JPMorgan chegou a US$ 11,6 bilhões (cerca de R$ 56,8 bilhões), contribuindo para que o banco atingisse o segundo maior lucro trimestral de sua história. Os seis maiores bancos dos EUA — JPMorgan, Bank of America, Morgan Stanley, Citigroup, Goldman Sachs e Wells Fargo — somaram lucros de US$ 47,7 bilhões (aproximadamente R$ 233,4 bilhões) no primeiro trimestre de 2026. Segundo a estrategista Susannah Streeter, a volatilidade provocada pela guerra elevou volumes de trading, com investidores reequilibrando posições entre ativos de maior e menor risco.

O setor de defesa também registrou aumento de demanda. A analista sênior da RMS UK, Emily Sawicz, destacou que o conflito ressaltou fragilidades em defesas aéreas, acelerando investimentos em sistemas antimísseis, contra drones e em equipamento militar. A BAE Systems, fabricante de componentes para o caça F-35, informou em atualização comercial em 7 de maio que espera forte crescimento de vendas e lucros em 2026, citando o aumento das “ameaças de segurança” globais. Lockheed Martin, Boeing e Northrop Grumman relataram estoques de pedidos em níveis recordes no fim do primeiro trimestre de 2026, embora as ações do setor tenham recuado desde meados de março por preocupações de sobrevalorização.

Por fim, a crise realçou a necessidade de diversificação energética, beneficiando empresas de fontes renováveis. A NextEra Energy teve valorização de 17% neste ano, segundo investidores. As dinamarquesas Vestas e Orsted também reportaram crescimento de lucros. No Reino Unido, a Octopus Energy afirmou que a guerra deu “enorme impulso” às vendas de painéis solares e bombas de calor, com aumento de 50% nas vendas de painéis solares desde o fim de fevereiro. A alta nos preços dos combustíveis também elevou a procura por veículos elétricos, favorecendo especialmente fabricantes chineses do setor.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
Últimas Notícias
Veja também