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sábado, junho 20, 2026

Encontro entre Trump e Xi em Pequim pode marcar a relação entre EUA e China por anos

Visita de Estado em Pequim tem agenda apertada e questões globais em jogo

TRANSMISSÃO: Globo | Band

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping, se reúnem em Pequim em uma visita de Estado marcada para os dias 14 e 15 de maio. A agenda inclui negociações bilaterais, um banquete oficial e uma visita ao Templo do Céu. Preparativos de segurança foram intensificados na Praça Tiananmen nos dias anteriores ao encontro.

Autoridades de ambos os países depositam expectativas altas no encontro rápido, que pode influenciar decisões sobre comércio, tecnologia e tensões regionais por vários anos. Nos meses recentes, a administração Trump vinha priorizando outros temas, como o conflito com o Irã e operações militares no Hemisfério Ocidental, mas a visita desloca o foco para a relação com a China.

No campo econômico, Pequim e Washington precisam tratar das disputas comerciais que vêm se repetindo desde 2025, quando tarifas variáveis e restrições atingiram setores sensíveis. Trump pressionará por maior compra chinesa de produtos agrícolas americanos, enquanto a China tende a exigir a suspensão de uma investigação sobre práticas comerciais que pode abrir caminho para novas tarifas.

O cenário inclui também decisões judiciais recentes nos EUA que limitaram o poder presidencial de impor tarifas de forma unilateral — um fator que tem moderado movimentos tarifários. Empresários estão envolvidos na visita: o governo americano convidou CEOs de empresas como Nvidia, Apple, Exxon e Boeing para acompanhar a comitiva, segundo relatos da Reuters.

A questão de Taiwan deve constar nas conversas. Desde dezembro, os EUA concretizaram um acordo de venda de armamentos no valor de US$ 11 bilhões, gerando descontentamento em Pequim. Trump tem feito declarações ambíguas sobre o compromisso americano em defender Taiwan e impôs tarifas de 15% sobre produtos taiwaneses no ano passado, citando perdas industriais dos EUA.

No plano regional, a China também tenta se posicionar como mediadora no conflito envolvendo Irã, EUA e aliados. Pequim e o Paquistão apresentaram em março um plano de cinco pontos visando cessar-fogo e reabertura do Estreito de Ormuz. Recentemente, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, visitou Pequim, gesto observado de perto por Washington.

Para a economia chinesa, o prolongamento da guerra e o aumento dos preços do petróleo têm impactos negativos, pressionando custos industriais e o mercado de trabalho. Embora a China tenha pontos de vantagem, como reservas energéticas e investimentos em energias renováveis, os efeitos sobre exportações e custos de produção são preocupantes para Pequim.

Outro ponto sensível é a corrida por tecnologias avançadas, em especial inteligência artificial e semicondutores. Autoridades americanas acusam empresas chinesas de práticas que prejudicam a propriedade intelectual dos EUA, enquanto a China depende de chips de ponta fabricados no exterior. A China domina aproximadamente 90% do processamento mundial de minerais de terras raras, o que cria margem para trocas comerciais estratégicas, como fornecimento de matérias-primas em contraponto a acesso a tecnologia.

Apesar do tempo curto da visita — apenas dois dias com reuniões e eventos intensos — o encontro entre Trump e Xi tem potencial para estabelecer rumos de cooperação ou definir áreas de confronto para os próximos anos. Caso a estadia transcorra sem incidentes e com sinais de respeito mútuo, a estabilidade relativa nas relações pode perdurar; se houver episódios interpretados como desrespeito, Washington pode rever posturas rapidamente.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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