Os Estados Unidos comunicaram a aplicação de uma nova sobretaxa de 12,5% sobre produtos provenientes do Brasil, que passa a valer na madrugada desta sexta-feira (24). A medida incide sobre mercadorias exportadas para o mercado norte-americano e atinge em cheio o setor do agronegócio, que vinha buscando ampliar sua presença naquele destino.
Como a tarifa funciona e quando foi implementada
Segundo nota do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), a alíquota de 12,5% substitui uma cobrança temporária de 10% que estava em vigor desde fevereiro. Essa nova sobretaxa soma-se a outra já imposta de 25%, estabelecida em 22 de julho, de modo que determinados produtos brasileiros podem passar a sofrer uma taxação de até 37,5% ao entrar no mercado norte-americano.
Justificativa do governo dos EUA
O USTR fundamentou a decisão ao apontar que o Brasil não teria controles suficientes para impedir a importação de bens ligados ao trabalho forçado. Na avaliação do órgão norte-americano, o país figura entre 54 nações que ainda não adotaram medidas consideradas adequadas para barrar mercadorias produzidas nessas condições.
Setores e período citados na análise
Na análise citada pelo USTR, foram identificados, no período entre 2021 e 2025, produtos relacionados ao trabalho forçado em segmentos como alumínio, algodão, eletrônicos, baterias de lítio e tabaco. O argumento é de que esses itens, caso produzidos com custo reduzido por práticas irregulares, poderiam prejudicar a concorrência e reduzir a renda de produtores que atuam dentro das normas.
Repercussões previstas para o agronegócio
Para o setor rural brasileiro, a sobretaxa é apontada como um fator que pode desestimular vendas ao mercado dos EUA e comprometer a competitividade dos produtores nacionais. Embora o Brasil participe de acordos internacionais contra o trabalho escravo e mantenha a chamada Lista Suja do Trabalho Escravo, o USTR entende que tais mecanismos não são suficientes para eliminar o risco de entrada de produtos vinculados a trabalho forçado no comércio internacional.
O anúncio do USTR traz, portanto, implicações diretas para exportadores e para a imagem do país no comércio global, exigindo adaptações nas estratégias comerciais caso se mantenha a aplicação dessas tarifas.
Fonte: Uberlandianofoco


