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terça-feira, junho 2, 2026

EUA recomendam tarifas contra produtos brasileiros; anúncio já afeta exportadores, dizem especialistas

Investigação e recomendação do USTR podem ter impacto imediato nas exportações brasileiras

O resultado preliminar de uma investigação comercial dos Estados Unidos e a sugestão de impor uma tarifa adicional de 25% a determinados produtos brasileiros já provocam efeito no mercado de exportação, afirmam especialistas. A recomendação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) foi publicada em 1º de junho de 2026 e, embora deva passar por consulta pública e negociações, já aumentou a cautela entre produtores e exportadores brasileiros.

Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil e sócio da consultoria BMJ, disse à BBC News Brasil que muitos exportadores estão reduzindo operações na expectativa de uma definição para evitar perdas caso as novas tarifas entrem em vigor. “Vários exportadores temem que cheguem lá com a tarifa mais alta e vão restringir até que se tenha uma definição”, afirmou Barral.

No relatório divulgado pelo USTR, recomenda-se a aplicação de tarifas de 25% sobre alguns produtos brasileiros, com uma lista de exceções. O documento também indica que, se adotada, a taxação poderia elevar a alíquota incidente sobre certos bens a até 35%, tornando-os mais caros diante da concorrência internacional.

Guilherme Klein Martins, economista e professor da Universidade de Leeds, no Reino Unido, informou à BBC Brasil que a divulgação das conclusões da investigação coincidiu com a decisão dos EUA de classificar as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, fator que, segundo ele, acrescenta incerteza para investidores multinacionais e pode levar empresas a postergar investimentos no curto prazo.

A investigação foi aberta em julho de 2025 com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite avaliar práticas estrangeiras consideradas prejudiciais a empresas e produtos americanos. No texto publicado pelo USTR, o governo norte-americano afirma que certas práticas do governo brasileiro são “irrazoáveis” e “oneram ou restringem o comércio dos EUA”, citando, entre outros pontos, o sistema de pagamentos Pix como favorecimento de um campeão nacional que prejudicaria empresas americanas concorrentes.

Barral afirmou que a apuração americana teria dedicado atenção limitada aos argumentos apresentados pelo Brasil após a abertura da sindicância, mencionando questões como queda no desmatamento, combate à corrupção e acordos com Índia e México sancionados pela OMC. Segundo ele, a avaliação não considerou totalmente o papel do Brasil como fornecedor de insumos estratégicos nem os impactos das medidas propostas sobre consumidores e cadeias produtivas nos próprios Estados Unidos.

Se não houver negociação nos próximos 30 dias, existe o risco de o Brasil acionar a Lei de Reciprocidade contra empresas, propriedade intelectual e exportações dos EUA, avaliou o ex-secretário. O governo brasileiro já abriu um processo na Câmara de Comércio Exterior (Camex) visando a aplicação dessa lei em agosto de 2025, após anúncio do então presidente dos EUA, Donald Trump, sobre tarifas de até 50% para produtos brasileiros.

A Lei de Reciprocidade foi aprovada pelo Congresso e sancionada em abril de 2025 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva; sua aplicação permitiria ao Brasil responder a medidas unilaterais adotadas por outros países, inclusive com tarifas ou outras retaliações.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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