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sábado, setembro 19, 2026

Expansão da geração distribuída por painéis solares pressiona equilíbrio do sistema elétrico e leva a cortes de energia

O crescimento da geração distribuída no Brasil, sobretudo por meio de painéis solares em residências, comércios e propriedades rurais, tem transformado a matriz elétrica e criado desafios operacionais para o sistema interligado. Há 4,6 milhões de consumidores que também são micro ou minigeradores, cerca de 5% do total de consumidores, e que produzem energia no próprio local ou nas imediações.

No último domingo (23), o ONS acionou pela segunda vez um mecanismo para reduzir o descompasso entre oferta e demanda, determinando que as distribuidoras cortassem cerca de 1 gigawatt (GW) de geração entre 11h e 13h30. O instrumento já havia sido usado pela primeira vez em junho.

Políticas e incentivos

Especialistas ouvidos pelo g1 atribuem a expansão da geração distribuída a incentivos oferecidos a quem instala painéis solares. Em geral, consumidores que geram parte da própria eletricidade deixam de pagar pela rede de distribuição como os demais clientes. O Marco Legal da Geração Distribuída, sancionado em 2022, determinou que esse benefício vale até 2045 para quem solicitou o serviço até janeiro de 2023; adesões posteriores foram enquadradas em dois grupos de transição, conforme a data de adesão, com cobrança gradual pelo uso da infraestrutura quando houver injeção na rede.

Clauber Leite, diretor de Energia Sustentável e Bioeconomia do Instituto E+ Transição Energética, afirma que os subsídios contribuíram para viabilizar a mudança da matriz, mas passaram a representar um desafio setorial e impacto relevante na conta de luz. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) estimou a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) em R$ 52,7 bilhões para 2026, sendo cerca de R$ 47,8 bilhões cobrados via tarifa; parte desses recursos está ligada à expansão da geração distribuída e a outros subsídios.

Cortes e impactos

Segundo especialistas, os cortes de geração para manter o equilíbrio da rede já são rotina, ocorrendo com maior frequência em horários de pico de geração solar e nos fins de semana, quando a demanda comercial e industrial diminui. Roberto Brandão, diretor técnico-científico do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel) da UFRJ, explica que o ONS reduz ao mínimo a geração hídrica e térmica controlável e ainda assim enfrenta excesso de oferta, o que leva a cortes em usinas eólicas, solares e centrais.

O procedimento impacta usinas tipo III, que normalmente não são despachadas diretamente pelo ONS; por isso foi estabelecido um arranjo para que as distribuidoras organizem os cortes.

Estimativas da consultoria Volt Robotics apontam prejuízos de R$ 6,5 bilhões em 2025 decorrentes dos cortes na geração solar e eólica. Joisa Dutra, do Centro de Estudos em Regulação e Infraestrutura (Cebi) da FGV, afirma que o excesso de energia e os cortes comprometem o retorno sobre investimentos, causando perdas financeiras e, em alguns casos, dificuldades para honrar compromissos assumidos por investidores.

Possíveis soluções

O ONS informou que avalia medidas para melhorar o equilíbrio entre carga e geração, incluindo maior uso de sistemas de armazenamento de energia, fortalecimento da infraestrutura de transmissão e a incorporação de novas cargas eletrointensivas, como data centers. A Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) defende a adoção de sinais econômicos horários nas tarifas das distribuidoras, mecanismos de supervisão e controle para consumidores com geração distribuída, restrição de novos acessos em áreas com capacidade esgotada e instalação de sistemas de armazenamento no Sistema Interligado Nacional. A entidade também cita estímulos ao aumento da demanda por eletricidade, como eletrificação industrial, expansão da mobilidade elétrica, crescimento de data centers e desenvolvimento do hidrogênio verde.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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